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Estenose coronariana: graduação, diâmetro de referência e oclusão total

A estenose é graduada pela redução do diâmetro da luz em relação a um segmento normal de referência e é descrita no laudo com um termo e a faixa correspondente. A categoria CAD-RADS do paciente baseia-se na estenose mais grave; uma estenose do TCE de 50% ou mais, ou estenoses de 70% ou mais nos três vasos, a elevam a 4B. As definições seguem o consenso da SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0.

O essencial

  • A estenose é graduada por diâmetro, comparando a luz mínima com a luz de um segmento normal próximo, nunca com o contorno externo de uma placa remodelada.
  • Os graus são mínima (1–24%), discreta (25–49%), moderada (50–69%), grave (70–99%) e oclusão total (100%), e no laudo o termo vem sempre acompanhado da faixa.
  • A estimativa visual em faixas basta para o laudo clínico, e a medida quantitativa, que não é exigência de rotina, varia cerca de ±25% em relação à angiografia.
  • Um segmento sem opacificação da luz é uma oclusão total mesmo que haja contraste distal, e a cronicidade não se presume: é inferida por colaterais, cálcio ou extensão.
  • A estenose é obstrutiva a partir de 50% e grave a partir de 70%, mas no TCE uma estenose de 50% ou mais já é CAD-RADS 4B.
  • Cada estenose é descrita no seu segmento, com nome anatômico, tipo de placa e grau; nas lesões em série ou difusas, a categoria é definida pela mais grave.
Nesta seção (12)
  1. Estenose por diâmetro
  2. Diâmetro luminal de referência
  3. Escala de graduação da estenose
  4. Oclusão total
  5. Pérvio, sem estenose e sem placa
  6. Estenose obstrutiva e não obstrutiva
  7. Lesão, segmento e vaso
  8. Estenoses em série e doença difusa
  9. Excêntrica e concêntrica
  10. Estimativa visual e medida quantitativa
  11. Descrição da estenose no laudo
  12. Ostial e justaostial
Tabela 1. Escala de graduação da estenose coronariana por diâmetro. A categoria indicada é a do paciente quando esse grau corresponde à estenose mais grave; um TCE com estenose de 50% ou mais é CAD-RADS 4B.
GrauTermoFaixaO que significa
0Sem estenose visível0%Luz sem redução. Sem placa, CAD-RADS 0; com placa, CAD-RADS 1
1Mínima1–24%Não obstrutiva (CAD-RADS 1)
2Discreta25–49%Não obstrutiva (CAD-RADS 2)
3Moderada50–69%Obstrutiva (CAD-RADS 3; 4B se for o TCE)
4Grave70–99%Obstrutiva (CAD-RADS 4A; 4B se for o TCE ou forem três vasos)
5Oclusão total100%Segmento sem opacificação, agudo ou crônico (CAD-RADS 5)

Fonte: SCCT 2026, texto p. 15 e Tabela 5, p. 51; CAD-RADS 2.0, Tabelas 1 e 4. A Tabela 5 escreve “mínima (1–25%)”; o texto da SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0, “1–24%”.

Estenose por diâmetro Diameter stenosis %DS#

Outros nomes: porcentagem de estenose por diâmetro, redução luminal (forma habitual dos laudos brasileiros), redução do diâmetro luminal, diameter stenosis

Mede quanto o diâmetro da luz se reduz no ponto mais estreito em relação ao de um segmento normal de referência. A SCCT e o CAD-RADS graduam a estenose por essa medida, e não pela área.

Não confundir: a estenose por diâmetro com a estenose por área. Em uma luz circular, 50% por diâmetro equivale a 75% por área.

Fonte: SCCT 2026, graduação qualitativa da estenose, p. 15; reconstrução curva, p. 9; fórmula na graduação quantitativa, p. 16 · “A qualitative interpretation of the extent of coronary artery stenosis should be made in transverse and longitudinal views as an estimated maximal percent diameter stenosis.”

Detalhes

Na prática. A estenose máxima é estimada em cortes transversais e longitudinais, porque a reconstrução curva pode subestimar uma estenose excêntrica. Quando medida, calcula-se (DLR − DLM) / DLR × 100, em que DLR é o diâmetro luminal de referência e DLM, o diâmetro luminal mínimo.

Erro a evitar. Informar a porcentagem por área como se fosse por diâmetro. A área dá números maiores para a mesma lesão, e a escala do CAD-RADS se aplica ao diâmetro.

Em outras fontes. A SCCT 2014 considerava a estenose por área um dado adicional, não obrigatório. (SCCT 2014, seção 5.4, p. 346)

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Os botões 0–5 e o controle deslizante “Grau de estenose” registram a porcentagem na escala por diâmetro do CAD-RADS, e cada segmento é graduado pela lesão de maior grau. Não há campo para estenose por área.

Cortes transversais de coronária com luz de 4 mm e de 2 mm: 50% de estenose por diâmetro equivale a 75% por área
Figura 1. A mesma lesão mede 50% por diâmetro e 75% por área, porque a área depende do quadrado do diâmetro. A escala da SCCT e do CAD-RADS se aplica à porcentagem por diâmetro.

Diâmetro luminal de referência Reference luminal diameter RLD#

Outros nomes: diâmetro de referência, diâmetro do vaso de referência (termo da angiografia coronária quantitativa, na qual mede a luz), RVD (sigla da angiografia coronária quantitativa), reference diameter

É medido na luz de um segmento normal próximo à estenose, proximal ou distal, ou corresponde à média dos dois. É o denominador da porcentagem de estenose.

Não confundir: o diâmetro luminal de referência com o diâmetro externo do vaso. O diâmetro externo serve para avaliar o remodelamento positivo; a estenose é calculada apenas com diâmetros da luz.

Fonte: SCCT 2026, graduação qualitativa (p. 15) e quantitativa (pp. 16–17) da estenose; superestimação, p. 29 · “Qualitatively, the luminal diameter at a stenosis should be compared with the luminal diameter of a normal reference vessel segment distal and/or proximal to the stenosis.”

Detalhes

Na prática. Escolhe-se o corte mais normal a menos de 10 mm da lesão, sem ramos entre ele e a lesão. Em uma lesão ostial, usa-se a referência distal mais próxima. No TCE e na doença difusa, podem-se usar valores normais de diâmetro.

Erro a evitar. Comparar a luz com o contorno externo de uma placa com remodelamento positivo superestima a estenose. A luz mínima é comparada com a luz de um segmento normal.

Em outras fontes. O consenso ASCI-PT 2024 prefere o local de aspecto mais normal imediatamente proximal à placa. Se o segmento proximal não servir, como em uma lesão ostial, escolhe a referência distal mais próxima. A referência interpolada fica como opção para comparação com a angiografia coronária quantitativa. (Kim 2024, ASCI-PT, tema 7 e Tabela 4)

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O mapa não mede diâmetros. A porcentagem registrada com os botões ou com o controle deslizante é a que o radiologista estimou ou mediu na estação de trabalho.

Escala de graduação da estenose Stenosis grading scale 0–5#

Outros nomes: graus de estenose coronariana, graduação da estenose, estenose leve (equivale a discreta, 25–49%; o botão do mapa e a impressão do CAD-RADS 2 dizem “leve”), estenose importante (forma da literatura brasileira para 70–99%; equivale a grave), estenose severa (equivale a grave, 70–99%), suboclusão (oclusão subtotal; na escala, estenose grave, 70–99%), estenose crítica (não pertence à escala; escreve-se o grau com a faixa) evitado neste glossário, stenosis grading

A SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0 dividem a estenose por diâmetro em seis graus: 0%, mínima (1–24%), discreta (25–49%), moderada (50–69%), grave (70–99%) e oclusão total (100%).

Como escrever no laudo

Cx proximal: placa calcificada determinando estenose mínima (1–24%).

Não confundir: o grau de estenose com a carga de placa. O CAD-RADS 2.0 usa “mild”, “moderate” e “severe” nas duas escalas; em português, a estenose é discreta, moderada ou grave, e a carga de placa, leve, moderada, acentuada ou extensa. Uma estenose mínima pode acompanhar uma carga de placa acentuada (CAD-RADS 1/P3).

Fonte: SCCT 2026, graduação qualitativa da estenose, p. 15 · “This stenosis can be categorized as minimal (1-24 %), mild (25-49 %), moderate (50-69 %), severe (70-99 %) and total occlusion (100 %)”

Detalhes

Na prática. No laudo, o termo é escrito com a faixa, por exemplo “estenose moderada (50–69%)”, para que seja compatível com as categorias da angiografia invasiva. A categoria CAD-RADS baseia-se na estenose mais grave do paciente.

Erro a evitar. Escrever apenas “estenose moderada”, sem a faixa, ou usar palavras fora da escala, como “crítica”. Escreve-se um termo da escala seguido da faixa.

Em outras fontes. A SCCT 2009 admitia uma escala opcional em que a estenose discreta era menor que 39% e a moderada ia de 40 a 69%. Alguns estudos também usam outros limiares para discreta e mínima. Antes de comparar um artigo com esta escala, convém verificar quais limiares ele usou. (Raff 2009, SCCT, escala quantitativa opcional; Kim 2024, ASCI-PT, tema 6 e Tabela 3)

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Os botões 0–5 do editor (“normal · mín · leve · mod · grave · 100%”) guardam um valor representativo de cada faixa (0, 15, 38, 60, 85 ou 100%), e o modelo de laudo escreve o termo com a faixa, por exemplo “estenose moderada (50-69%)”. Para 25–49%, o botão diz “leve”, e os achados do laudo, “estenose discreta (25-49%)”. Esse valor interno não é uma medida: o editor o mostra junto ao controle deslizante “Grau de estenose”, mas o laudo não o imprime. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 4A/P2) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose discreta (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose grave (70-99%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva grave. Categoria CAD-RADS 4A/P2.

Doença obstrutiva (≥50%) em LCX e RCA.

Oclusão total Total occlusion 100%#

Outros nomes: oclusão coronariana total, oclusão completa, estenose de 100%, segmento ocluído, oclusão total crônica (OTC) (só quando as colaterais ou outros dados sustentam a cronicidade), total occlusion

Uma oclusão total é um segmento coronariano sem nenhuma opacificação da luz, equivalente a uma estenose de 100%. Basta uma, aguda ou crônica, para que o exame seja CAD-RADS 5.

Como escrever no laudo

CD média: oclusão total (100%), com opacificação da CD distal.

Não confundir: a oclusão total com a oclusão subtotal. A subtotal conserva uma opacificação luminal mínima, que pode ser difícil de ver, e costuma ser mais acessível à intervenção que a oclusão total crônica.

Fonte: SCCT 2026, oclusão coronariana (oclusão total, subtotal e sinais de cronicidade), p. 18 · “Total coronary occlusion is defined by complete nonopacification of a coronary artery segment”

Detalhes

Na prática. Percorre-se o trecho na reconstrução curva e em cortes transversais. Se um filete de contraste atravessa a lesão, trata-se de oclusão subtotal. O contraste distal não exclui a oclusão, porque a aquisição tardia dá tempo para o enchimento por colaterais.

Erro a evitar. Escrever “oclusão crônica” ou “OTC” só porque o segmento está ocluído. A cronicidade é inferida à parte, por dados como colaterais, cálcio ou maior extensão.

Em outras fontes. Na hemodinâmica, a oclusão total crônica exige ausência de fluxo anterógrado através da lesão e duração provável ou comprovada de três meses ou mais. Na angiotomografia, a extensão, o cálcio e as colaterais apenas sugerem cronicidade. (Galassi 2024, consenso EAPCI sobre oclusões totais crônicas, introdução; SCCT 2026, p. 18; SCCT 2024 de quantificação, Tabela 4, p. 437)

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O botão 5 leva a lesão a 100%, o modelo de laudo escreve “oclusão total” e a categoria passa a CAD-RADS 5. A frase “compatível com oclusão crônica” só é acrescentada quando, em “Circulação colateral” do menu “Anatomia ▾”, são marcadas colaterais que chegam ao território ocluído. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 5/P1) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa não calcificada, oclusão total; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Reconstituição distal do território RCA (ocluído) por circulação colateral (a partir da LAD · anastomose PDA apical–LAD distal), compatível com oclusão crônica.

Impressão Oclusão total de pelo menos um vaso coronário. Categoria CAD-RADS 5/P1.

Doença obstrutiva (≥50%) em RCA.

planejamento da estratégia de revascularização e da via de acesso (p. ex., intervenção coronária percutânea de OTC).

Três esquemas de artéria: estenose grave, oclusão subtotal com filete de contraste e oclusão total com enchimento distal
Figura 2. A oclusão total é definida pela ausência de opacificação de um segmento, e o contraste distal não a exclui, porque pode chegar por colaterais. Um filete de contraste através da lesão indica oclusão subtotal.

Pérvio, sem estenose e sem placa Patent, no stenosis and no plaque#

Outros nomes: permeável (sinônimo de pérvio), perviedade, patente (do inglês patent; prefere-se “pérvio”) evitado neste glossário, sem estenose visível (termo do CAD-RADS 2.0 para 0%), sem redução luminal, sem placa nem estenose, sem lesões ateroscleróticas (equivale a sem placa), sem estenose significativa (ambígua: não diz se há placa nem qual limiar se usa) evitado neste glossário, normal (só se não houver placa nem estenose)

São três afirmações diferentes. “Pérvio” indica que a luz de um vaso, stent ou enxerto se opacifica com contraste e não está ocluída, mas não diz se está reduzida. “Sem estenose” indica que a luz não se estreita (0%), embora possa haver placa. “Sem placa” indica que a parede não tem placa. Um segmento só é normal se não tiver placa nem estenose.

Como escrever no laudo

CD média: placa calcificada, sem redução luminal visível.

Não confundir: “pérvio” com “sem estenose”. Um stent pérvio pode ter reestenose moderada (50–69%), e um enxerto pérvio, uma estenose na anastomose distal.

Fonte: SCCT 2026, stent coronariano (p. 19), enxertos (pp. 19–20), placa aterosclerótica (p. 13) e impressão (p. 36); CAD-RADS 2.0, Tabela 1 (0%, “No visible stenosis”) e Tabela 4 (CAD-RADS 0 e 1, nota b) · “An impression of a normal study should be given only if there is no plaque or stenosis.”

Detalhes

Na prática. Em um stent, a perviedade é afirmada quando há contraste dentro do stent; o contraste distal, por si só, não basta. Em um enxerto, informa-se a perviedade e, separadamente, a estenose do corpo, das anastomoses e do leito distal. Em um segmento com placa que não reduz a luz, escreve-se o tipo de placa seguido de “sem redução luminal visível”. Antes de escrever “sem placa”, revisa-se a parede em cortes transversais: uma placa calcificada pequena e pouco densa pode ter a mesma atenuação que a luz contrastada, e a série sem contraste ajuda a detectá-la.

Erro a evitar. Escrever “coronárias pérvias” ou “sem estenose significativa” como se equivalesse a um exame normal. A SCCT 2026 reserva a impressão de exame normal para a ausência de placa e de estenose, e uma placa que não reduz a luz já leva, no mínimo, a CAD-RADS 1.

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O modelo de laudo descreve como livres de lesões os segmentos que não foram marcados: um vaso sem marcas aparece como “sem lesões ateroscleróticas”; após a última lesão, como “restante do vaso sem lesões”, e os ramos, como “sem lesões”. Com “não diagnóstica” no seletor “Qualidade”, essas frases passam a “sem lesões identificáveis” e “restante do vaso sem lesões identificáveis”. Com outra qualidade, se a P foi fixada com “Cálcio (Agatston)” ou “Escolher P” e não há nenhuma placa desenhada no mapa, passam a “sem estenose” e “restante do vaso sem estenose”, também nos ramos, porque a P já indica que há placa. Um stent sem reestenose aparece como “stent pérvio, sem reestenose significativa”, e um enxerto sem estenose, como “pérvio, sem estenose significativa”. Limitações do programa: uma placa marcada em 0% aparece como “placa sem estenose significativa”, sem o tipo de placa; e, ao marcar “N” em um segmento, o mapa apaga a placa desse segmento, deixa de contá-la no SIS e na P e não a recupera ao retirar o N. No primeiro caso, escreva o tipo de placa e “sem redução luminal visível” ao editar o rascunho; no segundo, descreva a placa manualmente e, se a carga global puder ser avaliada com confiabilidade, fixe a P com “Escolher P” ou “Cálcio (Agatston)” em “Modificadores P · I ▾”.

Estenose obstrutiva e não obstrutiva Obstructive and nonobstructive stenosis ≥50% · ≥70%#

Outros nomes: doença arterial coronariana obstrutiva (DAC obstrutiva), DAC não obstrutiva, doença coronariana obstrutiva, estenose significativa (ambígua: conforme a fonte, significa 50% ou mais, 70% ou mais ou repercussão funcional; prefere-se o grau com a faixa) evitado neste glossário, obstructive CAD

No CAD-RADS 2.0, que este glossário segue, chama-se obstrutiva a estenose de 50% ou mais, e não obstrutiva a menor que isso. Os 70% marcam a estenose grave e são o limiar da doença obstrutiva de três vasos.

Como escrever no laudo

Doença arterial coronariana obstrutiva, com estenose máxima moderada (50–69%) na DA média.

Não confundir: “obstrutiva” com “hemodinamicamente significativa”. “Obstrutiva” é um limiar anatômico, uma estenose de 50% ou mais do diâmetro; a repercussão funcional é avaliada com um teste funcional e, quando esse teste é a CT-FFR ou a perfusão miocárdica por TC, o resultado é codificado com o modificador I.

Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.1.1 e Tabela 4 (CAD-RADS 1 e 2 como doença não obstrutiva; interpretação do CAD-RADS 3 ao 4B) · “CAD RADS 4B - This indicates the presence of a left main stenosis of at least 50% or three-vessel obstructive disease (>70%).”

Detalhes

Na prática. Os 50% separam o CAD-RADS 2 do CAD-RADS 3, no qual o CAD-RADS 2.0 sugere considerar um teste funcional. Os 70% separam o CAD-RADS 3 do 4A. Um TCE com estenose de 50% ou mais, ou três vasos com 70% ou mais, é CAD-RADS 4B.

Erro a evitar. Classificar como CAD-RADS 3 uma estenose de 50 a 69% no TCE. No TCE, uma estenose de 50% ou mais é CAD-RADS 4B.

Em outras fontes. A diretriz de revascularização ACC/AHA/SCAI 2021 chama de significativa a estenose angiográfica de 70% ou mais, ou de 50% ou mais no TCE, e de intermediária a de 40–69%. O glossário segue os 50% do CAD-RADS 2.0. (Lawton 2022, diretriz ACC/AHA/SCAI de revascularização, seção 4.1)

No CCTA Map

A impressão chama de “não obstrutiva” a doença das categorias CAD-RADS 1 e 2 e lista pela sigla onde está a doença obstrutiva (≥50%): o vaso (LM, LAD, LCX ou RCA, que correspondem, respectivamente, ao TCE, à DA, à Cx e à CD), se a lesão estiver nele, e o ramo (D1, OM1, PDA ou RI, por exemplo), se estiver em um ramo, como em “Doença obstrutiva (≥50%) em LAD, D1 e PDA”. A linha da doença não obstrutiva os nomeia da mesma forma, por exemplo “em D1 e OM1”. Um TCE com 50% ou mais dá CAD-RADS 4B mesmo sem estenose grave. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 3/P2) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva moderada. Categoria CAD-RADS 3/P2.

Doença obstrutiva (≥50%) em LAD, LCX e RCA.

Lesão, segmento e vaso Lesion, segment and vessel#

Outros nomes: análise por lesão, análise por segmento, análise por vaso, per-vessel analysis

São os níveis em que a doença coronariana é descrita. A lesão é uma placa individual, com extensão e estenose máxima próprias, e pode ocupar mais de um segmento. O segmento é a unidade do modelo de segmentos da SCCT, na qual se registram o tipo de placa e a estenose. O vaso é a artéria formada por esses segmentos. A categoria CAD-RADS é atribuída ao paciente, não a cada lesão nem a cada vaso.

Como escrever no laudo

Placa parcialmente calcificada que se estende da DA proximal à média, determinando estenose máxima moderada (50–69%) na DA média.

Não confundir: a lesão com o segmento na contagem do SIS. Uma placa que ocupa a DA proximal e a média é uma única lesão, mas soma 2 pontos; três placas em um mesmo segmento somam 1.

Fonte: SCCT 2026, placa aterosclerótica e volume de placa (p. 14) e Tabela 6 (avaliação da placa e da estenose por segmento), p. 52; CAD-RADS 2.0, seções 3.1.1 e 3.3.4, Tabela 4 (nota sobre a classificação por paciente) e Figura 17 · “Depending on the extent of disease, plaque can be described on a per-lesion or per-segment level.”

Detalhes

Na prática. A estenose máxima e as características de alto risco pertencem a uma lesão, e a HRP exige duas ou mais características na mesma placa. O laudo registra o tipo de placa e a estenose por segmento, e o SIS conta segmentos com placa, não placas. A doença de três vasos do CAD-RADS 4B é contada por vaso. A categoria do paciente é definida pela estenose clinicamente mais relevante, que costuma ser a de maior grau. A SCCT 2026 permite descrever a placa por lesão ou por segmento, conforme a extensão da doença.

Erro a evitar. Registrar uma placa longa apenas no segmento da sua estenose máxima. A placa é registrada em cada segmento que ocupa, e cada um soma um ponto no SIS.

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Cada lesão é desenhada arrastando ao longo do vaso e caracterizada na janela que se abre. Uma placa arrastada através de dois segmentos fica registrada em ambos, com o mesmo grau, tipo e marcadores, e conta no SIS nos dois; se a estenose máxima estiver em apenas um, desenhe um traço em cada segmento. As características de alto risco (“⬤ Baixa atenuação”, “⬈ Remodelamento +”, “⦿ Cálcio puntiforme” e “◎ Napkin-ring”, em “Marcadores”) são marcadas em cada placa, e a HRP só aparece quando uma mesma placa reúne duas ou mais. Se um segmento tem duas placas, o modelo de laudo descreve a de maior grau e só menciona a outra se ela tiver algum marcador; já um stent e uma placa nativa do mesmo segmento são descritos separadamente. É uma limitação do programa: a segunda placa sem marcadores é acrescentada ao editar o rascunho. O mapa mostra uma única categoria por paciente, com o motivo, por exemplo “Doença de três vasos (≥70%)”.

Estenoses em série e doença difusa Serial stenoses and diffuse disease#

Outros nomes: lesões em série, lesões sequenciais, lesões em tandem (no SYNTAX, só contam como tandem se separadas por menos de três diâmetros de referência), doença coronariana difusa, placa difusa, doença multifocal (atributo “multifocal” da SCCT 2026), lesão focal, estenose focal, lesão longa (atributo “long” da SCCT 2026), serial stenoses

Descrevem a extensão da doença ao longo do vaso. Uma lesão focal ocupa um trecho curto, com parede normal dos dois lados. Há estenoses em série quando duas ou mais estenoses do mesmo vaso estão separadas por trechos de luz normal; “multifocal” descreve várias lesões separadas entre si. Na doença difusa, a placa ocupa um trecho longo sem segmento normal próximo. A SCCT 2026 não fixa uma extensão para separar a lesão aterosclerótica focal da difusa.

Como escrever no laudo

DA média: duas placas não calcificadas em série, a proximal determinando estenose discreta (25–49%) e a distal, estenose grave (70–99%).

Não confundir: as estenoses em série com a doença difusa. Em série, restam trechos de luz normal entre as estenoses e cada uma é graduada separadamente; na doença difusa, não há luz normal próxima que sirva de referência.

Fonte: SCCT 2026, placa aterosclerótica (p. 14), graduação quantitativa (pp. 16–17) e subestimação (p. 29) · “Additional attributes such as "ostial", "bifurcation", "eccentric", "long", "diffuse" and "multifocal" can be used to further describe the location, morphology and extent of atherosclerotic disease.”

Detalhes

Na prática. A SCCT 2026 permite descrever a placa por lesão ou por segmento e acrescentar atributos como “longa”, “difusa” ou “multifocal”. Na doença difusa, nomeia-se o trecho ocupado pela placa e o local da estenose máxima; nas estenoses em série, cada uma é descrita com o seu grau. A categoria CAD-RADS baseia-se na estenose mais grave, e a extensão se reflete na carga de placa, porque cada segmento com placa soma um ponto no SIS.

Erro a evitar. Na doença difusa, tomar como referência um trecho vizinho também doente ou de pequeno calibre subestima a estenose. Convém usar o diâmetro normal esperado do vaso.

Em outras fontes. No escore SYNTAX, lesões separadas por menos de três diâmetros de referência contam como uma única lesão em tandem. O critério de doença difusa do SYNTAX não descreve a placa, e sim um vaso distal com menos de 2 mm em pelo menos 75% da sua extensão. A SCCT 2026 só atribui extensões a “focal” e “difusa” dentro de classificações específicas, a da reestenose intra-stent (10 mm) e a da dissecção coronariana espontânea (20 mm), e não as aplica à placa aterosclerótica. (Sianos 2005, SYNTAX, pp. 222–223; SCCT 2026, pp. 19 e 23)

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Se forem desenhadas duas lesões em um mesmo segmento, o modelo de laudo descreve a de maior grau com o tipo de placa, e a outra só se tiver algum marcador de alto risco, em uma frase própria (“no mesmo segmento, outra placa…”). É uma limitação do programa: sem marcadores, a outra lesão não aparece e deve ser acrescentada ao editar o rascunho; a categoria não muda, porque se baseia na mais grave. Uma placa arrastada através de dois segmentos fica registrada em ambos. O mapa não tem campo para “focal”, “difusa” ou “multifocal”; esses atributos são escritos no rascunho. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 4A/P1) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose discreta (25-49%); segmento médio: placa não calcificada, estenose grave (70-99%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva grave. Categoria CAD-RADS 4A/P1.

Doença obstrutiva (≥50%) em LAD.

Excêntrica e concêntrica Eccentric and concentric#

Outros nomes: placa excêntrica, estenose excêntrica, placa concêntrica, placa circunferencial, eccentric plaque

Descrevem como a placa se distribui na circunferência da parede. A placa excêntrica ocupa apenas parte da circunferência, e a luz fica deslocada para o lado livre. A concêntrica circunda a luz em toda a circunferência. Nenhuma das duas palavras indica o grau de estenose.

Como escrever no laudo

CD média: placa não calcificada excêntrica determinando estenose discreta (25–49%).

Não confundir: uma placa concêntrica com o espessamento parietal liso e circunferencial de uma vasculite, que realça com o contraste e pode se acompanhar de densificação da gordura adjacente. Esse espessamento não é aterosclerótico e é codificado com o modificador E.

Fonte: SCCT 2026, placa aterosclerótica (atributo “eccentric”, p. 14), reconstrução curva (p. 9) e vasculite (p. 24); CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6; Kim 2024, ASCI-PT, tema 8 · “Curved MPR can underestimate eccentric stenosis; hence evaluation should be performed in at least two perpendicular planes.”

Detalhes

Na prática. A reconstrução curva pode subestimar uma estenose excêntrica; por isso, a estenose é avaliada em pelo menos dois planos perpendiculares e em cortes transversais. Se for medida uma luz elíptica no corte transversal, a ASCI-PT 2024 propõe calcular a média dos diâmetros máximo e mínimo, com concordância moderada (66,7%).

Erro a evitar. Graduar uma placa excêntrica em um único plano longitudinal. A luz pode parecer ampla nesse plano e estreita no perpendicular.

Em outras fontes. A SCCT 2014 incluía a posição excêntrica entre os descritores opcionais de uma lesão estenótica. Na SCCT 2026, “concêntrico” aparece na vasculopatia do aloenxerto cardíaco, que produz estreitamento concêntrico distal; nesses pacientes, a placa excêntrica proximal pode decorrer de aterosclerose do doador. (SCCT 2014, seção 10.6.2, p. 352; SCCT 2026, p. 24)

No CCTA Map

O mapa não registra se a placa é excêntrica ou concêntrica. O atributo é escrito ao editar o rascunho.

Estimativa visual e medida quantitativa Visual estimation and quantitative measurement#

Outros nomes: estimativa visual da estenose, quantificação da estenose, avaliação visual, visual estimation, eyeballing (coloquial)

Na estimativa visual, o leitor atribui a faixa de estenose comparando a luz com a referência a olho nu. A medida quantitativa calcula a porcentagem com diâmetros ou áreas traçados por um software.

Como escrever no laudo

DA média: placa parcialmente calcificada determinando estenose moderada (50–69%), estimada visualmente em aproximadamente 55%.

Não confundir: um número estimado a olho nu com uma medida. Se não foram traçados diâmetros, o número é apresentado como estimativa visual, junto com o termo e a sua faixa.

Fonte: SCCT 2026, graduação quantitativa da estenose, p. 17 · “Visual estimate is typically sufficient for clinical interpretation since it is comparable to visual stenosis assessment in ICA”

Detalhes

Na prática. Para o laudo, basta a estimativa visual em faixas, comparável à leitura visual da angiografia invasiva. A medida não é rotineira, porque, em relação à angiografia quantitativa, varia cerca de ±25%. Se a estenose for medida, o número é informado junto com a faixa.

Erro a evitar. Informar apenas “estenose de 63%”, uma precisão que o método não tem. Escreve-se o termo com a faixa e, se desejado, o número medido.

Em outras fontes. Na quantificação por software, a SCCT 2024 prefere as medidas de área e de volume às de diâmetro, por sua maior reprodutibilidade. Para o laudo clínico, o glossário segue a estimativa visual da SCCT 2026. (SCCT 2024 de quantificação, seção 3, p. 432; SCCT 2026, p. 17)

No CCTA Map

Com o controle deslizante, o modelo de laudo escreve só o número, como “estenose de 45%”, sem termo nem faixa. É uma limitação do programa: ao editar o rascunho, acrescente o termo, a faixa e, se o número não foi medido, que se trata de uma estimativa visual. Com os botões 0–5, o modelo escreve o termo e a faixa; o valor interno de cada botão representa a faixa e não é uma medida. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 3/P1) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa parcialmente calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento médio: placa não calcificada, estenose de 45%; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva moderada. Categoria CAD-RADS 3/P1.

Doença obstrutiva (≥50%) em LAD.

Descrição da estenose no laudo Reporting a coronary stenosis#

Outros nomes: descrição da lesão coronariana, reporting a coronary stenosis

Cada estenose é descrita com a localização anatômica, o tipo de placa que a produz e o grau, expresso com termo e faixa. A SCCT 2026 pede essa avaliação por segmento segundo o CAD-RADS 2.0.

Como escrever no laudo

CD proximal: placa não calcificada determinando estenose moderada (50–69%).

Fonte: SCCT 2026, Tabela 5 (consensos de interpretação, recomendação forte) e Tabela 6 (avaliação por segmento segundo o CAD-RADS 2.0); exemplo de redação, p. 15 · “Description of stenosis is based on the anatomical location (e.g., mid LAD, distal RCA) rather than on segment numbers (e.g. segment 5, segment 7).”

Detalhes

Na prática. O exemplo da SCCT 2026 serve de referência: nomeia primeiro o segmento, depois a placa e por último o grau, como “CD proximal com placa não calcificada e estenose moderada (50–69%)” (o PDF preliminar escreve “50–60%”, provavelmente um erro de digitação). Podem-se acrescentar atributos como ostial, em bifurcação ou excêntrica.

Erro a evitar. Chamar de normal um segmento com placa que não reduz a luz. “Normal” exige ausência de placa e de estenose, e uma placa isolada já dá CAD-RADS 1.

Em outras fontes. Na hemodinâmica, a lesão é classificada como tipo A, B ou C da ACC/AHA segundo extensão, excentricidade, angulação, cálcio, ramos envolvidos, trombo e grau de estenose. Essa classificação estima o sucesso e o risco da angioplastia. A SCCT 2026 não a usa. (Sianos 2005, SYNTAX, p. 222)

No CCTA Map

O modelo de laudo redige um parágrafo por vaso, com frases como “segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%)”, em que uma vírgula liga a placa ao grau. Limitações do programa: uma placa em 0% aparece como “placa sem estenose significativa”, sem o tipo de placa, e, se um segmento tem duas placas, a segunda só é descrita quando tem algum marcador de alto risco. Ao editar o rascunho, escreva o tipo de placa seguido de “sem redução luminal visível” e acrescente a segunda placa quando ela não aparecer; essas omissões do texto não mudam a categoria nem a P. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 3/P1) →

Saída literal do modelo do mapa

Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.

Descendente anterior (LAD): segmento médio: placa sem estenose significativa; restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.

Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.

Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.

Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.

Impressão Doença arterial coronariana obstrutiva moderada. Categoria CAD-RADS 3/P1.

Doença obstrutiva (≥50%) em RCA.

Ostial e justaostial Ostial and juxta-ostial#

Outros nomes: lesão ostial, estenose ostial, acometimento ostial, aorto-ostial (óstio da CD ou do TCE na aorta), lesão justaostial, juxta-ostial

“Ostial” é usado quando a placa acomete o orifício de origem do vaso: o da CD ou o do TCE na aorta, ou o de um ramo no seu vaso de origem, como o da DA na bifurcação do TCE. “Justaostial” é usado quando a placa está junto à origem, mas poupa o orifício. A SCCT 2026 cita “ostial” como atributo sem fixar uma distância; “justaostial” é um termo de uso, não de consenso.

Como escrever no laudo

DA proximal: placa não calcificada justaostial, que poupa o óstio da DA, determinando estenose moderada (50–69%).

Não confundir: uma estenose ostial por placa com o óstio em fenda de uma origem anômala ou com o acometimento ostial de uma vasculite que se estende a partir da aorta. Esses estreitamentos não são ateroscleróticos e são codificados com o modificador E.

Fonte: SCCT 2026, placa aterosclerótica (atributo “ostial”, p. 14), anatomia coronariana (p. 11), graduação quantitativa (p. 16), MIP (p. 9), anomalias (p. 20) e vasculite (p. 24); Kim 2024, ASCI-PT, temas 1 e 7; CAD-RADS 2.0, Tabela 4 e seção 3.3.6 · “If the proximal segment is not appropriate (e.g., ostial lesion), the closest distal reference can be chosen.”

Detalhes

Na prática. O óstio é revisado em cortes transversais e longitudinais; as MIP de 5 a 10 mm mostram bem a origem, mas não servem para graduar a estenose. Em uma lesão ostial, o segmento proximal não serve de referência, e escolhe-se a referência distal mais próxima. No óstio da DA ou da Cx, especifica-se se a placa ocupa a bifurcação do TCE: a SCCT 2026 atribui a doença de uma bifurcação ao segmento precedente, e a ASCI-PT 2024 classifica como TCE as lesões da bifurcação em direção à DA ou à Cx. Se a placa for atribuída ao TCE, uma estenose de 50% ou mais é CAD-RADS 4B. A placa justaostial é registrada na DA ou na Cx proximal.

Erro a evitar. Chamar de ostial uma placa da DA proximal que poupa o orifício. Ela é justaostial e é registrada na DA; só a placa que ocupa a bifurcação é atribuída ao TCE.

Em outras fontes. A SCCT 2014 já incluía “ostial” entre os modificadores opcionais da placa, e o acometimento ostial ou de um ramo entre os dados de extensão da estenose. (SCCT 2014, seção 5.4, p. 346, e Tabela 4, p. 347)

No CCTA Map

O mapa não tem um atributo “ostial”: a placa é desenhada no seu segmento (em uma bifurcação, no segmento precedente) e o atributo é escrito ao editar o rascunho. Em uma anomalia que nasce de um seio aórtico (“Seio D” ou “Seio E” na aba “Um vaso” de “Origem das coronárias”, menu “Anatomia ▾”), o botão “Óstio em fenda / origem em ângulo agudo” de “Achados de alto risco” descreve a forma do orifício anômalo, não uma estenose por placa. Limitação do programa: o mapa não gradua um estreitamento sem placa, e uma anomalia com estenose moderada resulta em CAD-RADS 0/E em vez de 3/E. A categoria é corrigida ao editar o rascunho, sem acrescentar P; desenhar o estreitamento como lesão não resolve, porque o mapa o redige como placa e acrescenta P1.

Autoavaliação

Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.

1O software de análise mostra, na DA média, um diâmetro luminal mínimo de 1,5 mm, um diâmetro de referência de 3,0 mm e uma estenose por área de 75%. Qual grau deve constar no laudo?

2Uma placa não calcificada da CD proximal tem remodelamento positivo. Na lesão, o diâmetro externo do vaso mede 5,0 mm e a luz mínima, 2,0 mm. A luz do segmento normal proximal mede 3,2 mm. Qual grau deve constar no laudo?

3Em um exame de boa qualidade, um trecho de 5 mm da Cx proximal não mostra contraste na luz, e a Cx distal se opacifica. Não há cálcio no trecho nem colaterais visíveis. Como se descreve o achado?

4A DA proximal, a Cx proximal e a CD média têm estenose moderada (50–69%), sem outras lesões. Sem considerar a carga de placa nem os modificadores, qual categoria se atribui?

5Qual frase de achados segue as recomendações da SCCT 2026?

Referências

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  2. Cury RC, Leipsic J, Abbara S, Achenbach S, Berman D, Bittencourt M, et al. CAD-RADS 2.0 - 2022 Coronary Artery Disease-Reporting and Data System: an expert consensus document of the SCCT, ACC, ACR and NASCI. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2022;16(6):536-57. doi:10.1016/j.jcct.2022.07.002
  3. Koweek L, Achenbach S, Berman DS, Carr JJ, Cury RC, Ghoshhajra B, et al. Standardized medical terminology for cardiac computed tomography 2023 update: an expert consensus document of the SCCT, AAPM, ACR, NASCI and RSNA. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2023;17(5):345-54. doi:10.1016/j.jcct.2023.06.002
  4. Narula J, Chandrashekhar Y, Ahmadi A, Abbara S, Berman DS, Blankstein R, et al. SCCT 2021 expert consensus document on coronary computed tomographic angiography: a report of the Society of Cardiovascular Computed Tomography. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2021;15(3):192-217. doi:10.1016/j.jcct.2020.11.001
  5. Neves PO, Andrade J, Monção H. Coronary artery calcium score: current status. Radiol Bras. 2017;50(3):182-9.
  6. Tamburino C, Tomasello SD, Capodanno D, Di Salvo ME, Marzà F, Galassi AR. Long-term follow-up after drug eluting stent implantation in left main trifurcations. EuroIntervention. 2009;5(4):432-7. doi:10.4244/eijv5i4a68
  7. Kovacevic M, Burzotta F, Elharty S, Besis G, Aurigemma C, Romagnoli E, et al. Left main trifurcation and its percutaneous treatment: what is known so far? Circ Cardiovasc Interv. 2021;14(3):e009872. doi:10.1161/CIRCINTERVENTIONS.120.009872
  8. Kim C, Park CH, Lee BY, et al. 2024 consensus statement on coronary stenosis and plaque evaluation in CT angiography from the Asian Society of Cardiovascular Imaging-Practical Tutorial (ASCI-PT). Korean J Radiol. 2024;25(4):331-42. doi:10.3348/kjr.2024.0112

Fontes das notas “Em outras fontes”

  1. Sianos G, Morel MA, Kappetein AP, et al. The SYNTAX Score: an angiographic tool grading the complexity of coronary artery disease. EuroIntervention. 2005;1(2):219-27.
  2. Leipsic J, Abbara S, Achenbach S, Cury R, Earls JP, Mancini GBJ, et al. SCCT guidelines for the interpretation and reporting of coronary CT angiography: a report of the Society of Cardiovascular Computed Tomography Guidelines Committee. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2014;8(5):342-58. doi:10.1016/j.jcct.2014.07.003
  3. Nieman K, García-García HM, Hideo-Kajita A, et al. Standards for quantitative assessments by coronary computed tomography angiography (CCTA): an expert consensus document of the SCCT. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2024;18(5):429-43. doi:10.1016/j.jcct.2024.05.232
  4. Raff GL, Abidov A, Achenbach S, et al. SCCT guidelines for the interpretation and reporting of coronary computed tomographic angiography. J Cardiovasc Comput Tomogr. 2009;3(2):122-36. doi:10.1016/j.jcct.2009.01.001
  5. Galassi AR, Vadalà G, Werner GS, et al. Evaluation and management of patients with coronary chronic total occlusions considered for revascularisation. A clinical consensus statement of the European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions (EAPCI) of the ESC, the European Association of Cardiovascular Imaging (EACVI) of the ESC, and the ESC Working Group on Cardiovascular Surgery. EuroIntervention. 2024;20(3):e174-84. doi:10.4244/EIJ-D-23-00749
  6. Lawton JS, Tamis-Holland JE, Bangalore S, et al. 2021 ACC/AHA/SCAI guideline for coronary artery revascularization: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2022;79(2):e21-e129. doi:10.1016/j.jacc.2021.09.006