Dr. David F. Cuevas Cueto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Fontes: SCCT 2026 e CAD-RADS 2.0
A placa é descrita por sua composição, pelas características de alto risco que apresente e pela carga total no paciente. As definições seguem o consenso SCCT 2026 e o CAD-RADS 2.0.
O essencial
Na placa calcificada, a maior parte do volume supera a atenuação da luz contrastada; a não calcificada fica abaixo dela e a parcialmente calcificada tem os dois componentes. A referência é a luz de cada exame, e não um valor fixo em unidades Hounsfield (UH).
O modificador /HRP exige que uma mesma placa mostre claramente pelo menos duas das quatro características de alto risco: baixa atenuação, remodelamento positivo, calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo.
A baixa atenuação é definida por menos de 30 UH, o remodelamento positivo por um índice maior que 1,1 e a calcificação puntiforme por um diâmetro menor que 3 mm; o sinal do anel de guardanapo não tem valor numérico e é reconhecido pela forma no corte transversal.
O SIS conta segmentos com placa, e não placas: um SIS de 1 a 2 corresponde a P1; de 3 a 4, a P2; de 5 a 7, a P3; e de 8 ou mais, a P4.
O escore de Agatston é calculado na fase sem contraste; um escore igual a 0 não exclui placa não calcificada e, se ela existir, a carga é atribuída com base no SIS.
A carga P1–P4 é independente da estenose; se os métodos divergirem, usa-se a avaliação mais grave, e no CAD-RADS 0 não se atribui P.
Figura 1. Tipos de placa em corte transversal, em escala de cinza de TC. A placa calcificada supera a atenuação da luz contrastada, a não calcificada fica abaixo dela e a parcialmente calcificada combina os dois componentes.
Figura 2. As quatro características de alto risco. O modificador /HRP exige pelo menos duas na mesma placa. O remodelamento positivo é mostrado em corte longitudinal: o índice de remodelamento (IR) é o diâmetro externo na lesão dividido pela média das referências proximal e distal, e é positivo quando supera 1,1.
Tabela 1. Classificação da carga de placa coronariana. O escore de Agatston só é usado se a fase sem contraste tiver sido adquirida. Se os métodos divergirem, o CAD-RADS 2.0 indica usar a avaliação mais grave.
Carga de placa
CAD-RADS
Avaliação visual
SIS (segmentos com placa)
Escore de Agatston
Nenhuma
Sem P (CAD-RADS 0)
Sem placa
0
0
Leve
P1
1–2 vasos com quantidade leve de placa
1–2
1–100
Moderada
P2
1–2 vasos com quantidade moderada, ou três vasos com quantidade leve
3–4
101–300
Acentuada
P3
Três vasos com quantidade moderada, ou um vaso com quantidade acentuada
5–7
301–999
Extensa
P4
2–3 vasos com quantidade acentuada
≥8
≥1000
Fonte: SCCT 2026, Tabela 3, p. 49, baseada no CAD-RADS 2.0, Tabela 2. O CAD-RADS 2.0 escreve “>1000” para P4 por cálcio; a SCCT 2026, “≥1000”.
Outros nomes:placa cálcica, placa predominantemente calcificada(usado em laudos brasileiros; na SCCT 2026, qualifica a placa parcialmente calcificada com ≥75% de componente calcificado), placa ateromatosa calcificada, calcified plaque, placa dura(sugere uma propriedade mecânica que a TC não avalia; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)desaconselhado
Na SCCT 2026, que este glossário segue, uma placa é calcificada se a maior parte do seu volume tem atenuação maior que a da luz opacificada. O critério depende da luz do vaso, e não de um limiar fixo em unidades Hounsfield (UH).
Como escrever no laudo
DA proximal: placa calcificada densa determinando estenose moderada (50–69%); o artefato de blooming pode superestimar o grau da estenose.
Não confundir: Placa calcificada não equivale a segmento não avaliável: se a luz pode ser avaliada, registra-se o maior grau visível com a ressalva de blooming; o segmento é não avaliável quando o artefato impede avaliar a luz com confiança.
Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 13 · “(largely) calcified plaque: attenuation values of most of the plaque exceed the values of the contrast-enhanced blood”
Detalhes
Na prática. Avalia-se em cortes transversais ao eixo do vaso, com janela ampla e, se disponível, com um filtro de reconstrução (kernel) mais duro para reduzir o blooming. Quando há cálcio denso, registra-se o maior grau visível, com a ressalva de que ele pode estar superestimado.
Erro a evitar. O limiar de 130 UH do escore de Agatston não serve para classificá-la como calcificada. Na angiotomografia, a referência é a atenuação da luz opacificada.
Em outras fontes. Na quantificação semiautomática da placa, a maioria dos programas considera cálcio denso o tecido com mais de 350 UH. A Terminologia SCCT 2023 define a placa calcificada por uma atenuação de toda a placa compatível com cálcio; o glossário segue o critério visual da SCCT 2026, que toma como referência a luz contrastada e exige que a maior parte da placa a supere. (SCCT 2024 de quantificação, seção 4.2; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
No CCTA Map
No editor da lesão, o tipo “Calcificada” desativa “⬤ Baixa atenuação” e “◎ Napkin-ring” e remove essas duas características se a placa já as tinha. Se a estenose for de 50–99%, o modelo de laudo acrescenta nos achados e na impressão a ressalva de possível superestimação por blooming. Limitação do programa: o botão “N” apaga a placa do segmento marcado, embora mantenha os trechos do mesmo traço nos segmentos vizinhos; retirar o N não a recupera e, ao contrário de “🗑 Excluir esta lesão”, não aparece o aviso “Desfazer”. Se o blooming impedir graduar a luz e o segmento for marcado com “N”, convém descrever a placa ao editar o rascunho e definir a P com “Cálcio (Agatston)” ou “Escolher P” somente se a carga global puder ser avaliada com confiabilidade. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 3/P1) →
Saída literal do modelo do mapa
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose moderada (50-69%), grau possivelmente superestimado por blooming do cálcio; restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
A calcificação densa pode superestimar o grau de estenose (artefato de blooming); se a conduta depender do grau, considerar FFR-TC ou teste funcional.
Figura 3. A composição da placa é julgada em relação à atenuação da luz de cada exame. O limiar de 130 UH pertence ao escore de Agatston, que é calculado na fase sem contraste.
Outros nomes:placa mista(Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1; muito usado no Brasil)desaconselhado, placa parcialmente não calcificada(termo da SCCT 2014), placa ateromatosa parcialmente calcificada, partially calcified plaque
Combina um componente calcificado e outro não calcificado. A SCCT usa este nome, e não “placa mista”. Se um componente ocupa pelo menos 75%, a placa pode ser chamada de predominantemente calcificada ou predominantemente não calcificada.
Como escrever no laudo
CD média: placa parcialmente calcificada, com predomínio do componente calcificado, determinando estenose discreta (25–49%).
Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 13 · “partially calcified: with both calcified and non-calcified components (Fig 6). A partially calcified plaque can be specified as predominantly calcified with ≥ 75 % of the plaque component calcified”
Detalhes
Na prática. É revisada em cortes transversais e em reconstrução multiplanar, que ajuda a distinguir o componente não calcificado da gordura pericoronariana. O tipo de placa é registrado em cada segmento, e o predomínio é um qualificativo opcional do texto.
Erro a evitar. Uma placa pode ser tomada por calcificada se o endurecimento do feixe junto ao cálcio ocultar seu componente não calcificado. Convém revisá-la com janela ampla e em vários planos.
Em outras fontes. A SCCT 2014 a chamava de “parcialmente não calcificada” e listava à parte “predominantemente calcificada” e “predominantemente não calcificada”, sem limiar percentual. Em vários artigos aparece como “placa mista”, nome que a Terminologia SCCT 2023 inclui entre os não recomendados e que o documento de quantificação da SCCT de 2024 também desaconselha. (SCCT 2014, seção 10.6.2; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)
No CCTA Map
No editor, é marcada com o botão “Parc. calcif.” e admite as quatro características de alto risco. O modelo de laudo a descreve como “placa parcialmente calcificada”.
Outros nomes:placa predominantemente não calcificada(usado em laudos brasileiros; na SCCT 2026, qualifica a placa parcialmente calcificada com ≥75% de componente não calcificado), placa ateromatosa não calcificada, non-calcified plaque (NCP), placa moledesaconselhado, placa lipídicadesaconselhado, placa rica em lipídios(SCCT 2026, p. 13; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)desaconselhado, placa fibrosadesaconselhado, placa fibrogordurosa(sugere uma histologia que a TC não avalia; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)desaconselhado
Chama-se não calcificada a placa com atenuação menor que a da luz opacificada. A SCCT recomenda este termo em lugar de “mole” ou “rica em lipídios”.
Como escrever no laudo
DA proximal: placa não calcificada, sem redução luminal visível.
Não confundir: “Sem redução luminal visível” corresponde ao grau 0% do CAD-RADS 2.0 (“No visible stenosis”). “Sem estenose significativa” não é um grau da escala: não esclarece se a luz está reduzida nem quanto.
Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 13 · “non-calcified plaque: attenuation values of the plaque are below the values of the contrast-enhanced blood”
Detalhes
Na prática. Além dos cortes axiais, é procurada em reconstruções multiplanares ortogonais e curvas, porque nos axiais pode passar despercebida ou ser confundida com um efeito de volume parcial. Também pode ser confundida com a gordura pericoronariana. Uma mudança de calibre sem explicação obriga a revisar o segmento.
Erro a evitar. Chamá-la de “mole” ou “lipídica” é impreciso, porque sua atenuação depende da quilovoltagem e da opacificação da luz e não prediz a histologia em um paciente individual.
Em outras fontes. Os programas de quantificação subdividem a placa não calcificada por intervalos de UH, com nomes como fibrosa, fibrogordurosa ou núcleo necrótico. Os limiares e os nomes variam entre programas, e a SCCT 2024 desaconselha chamá-la de “fibrosa”. (SCCT 2024 de quantificação, seções 4.1 e 4.2, Fig. 3)
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No editor, em “Tipo de placa”, é marcada com o botão “Não calc.”, e o modelo de laudo a descreve como “placa não calcificada” no seu segmento. Limitações do programa: uma placa marcada com 0% é redigida como “placa sem estenose significativa”, sem o tipo, e, quando um segmento tem duas placas, o modelo descreve a de maior grau; a outra só aparece, como “no mesmo segmento, outra placa…”, se tiver alguma característica de alto risco marcada. Só o texto falha: a categoria e a P saem corretas (no caso reproduzido, 1/P1). Ao editar o rascunho, convém escrever a composição, trocar essa frase por “sem redução luminal visível” e descrever a segunda placa.
Outros nomes:características de alto risco da placa, high-risk plaque, placa vulnerável(o CAD-RADS 2.0 a substituiu por HRP; desaconselhada pela Terminologia SCCT 2023, Tabela 4, e pela SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)desaconselhado, modificador V(CAD-RADS 1.0; o CAD-RADS 2.0 o substituiu por HRP)desaconselhado, placa adversa(Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; no SCOT-HEART bastava uma característica)desaconselhado
No CAD-RADS 2.0, uma placa é de alto risco se mostra claramente pelo menos duas das quatro características (baixa atenuação, remodelamento positivo, calcificação puntiforme e sinal do anel de guardanapo). É indicada com o modificador /HRP.
Como escrever no laudo
CD média: placa não calcificada determinando estenose discreta (25–49%), com duas características de alto risco: baixa atenuação e remodelamento positivo.
Não confundir: Uma característica de alto risco isolada pode ser descrita nos achados, mas não acrescenta /HRP: o modificador exige pelo menos duas características claras na mesma placa.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.4 e Figura 15 · “If a coronary plaque clearly demonstrates two or more high-risk features by CCTA, the modifier “HRP” (high risk plaque) should be added”
Detalhes
Na prática. Cada placa é revisada em cortes transversais e contam-se as características que ela apresenta. Se reunir duas ou mais, acrescenta-se /HRP à categoria e as características são nomeadas no texto dos achados.
Erro a evitar. Não se somam características de placas diferentes para chegar a duas. O modificador exige que as características estejam na mesma placa.
Em outras fontes. O CAD-RADS 1.0 usava o modificador “V” (vulnerabilidade) com o mesmo critério de duas ou mais características; o CAD-RADS 2.0 o substituiu por “HRP”. No SCOT-HEART, a “placa adversa” foi definida por remodelamento positivo ou baixa atenuação; bastava uma delas. A Terminologia SCCT 2023 não recomenda os nomes “características de placa vulnerável” nem “características de placa adversa”, e o documento de quantificação da SCCT de 2024 desaconselha “placa vulnerável”. (CAD-RADS 1.0, seção 3.3.4; CAD-RADS 2.0, seção 3.3; Williams 2019, SCOT-HEART; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)
No CCTA Map
As quatro características estão no editor de cada lesão, em “Marcadores”, com um contador “HRP n/4” que conta as dessa placa e passa a exibir ⚠ ao chegar a duas. As características são registradas por placa: o modificador /HRP aparece quando uma mesma placa reúne duas ou mais, e duas placas com uma característica cada não o ativam, mesmo que estejam no mesmo segmento. Uma placa desenhada com um único traço através de dois segmentos conta como uma só e leva as mesmas características em ambos. Se uma placa tem uma única característica, o modelo de laudo descreve essa característica como “achado isolado”. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 2/P1/HRP) →
Saída literal do modelo do mapa
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose discreta (25-49%) com características de placa de alto risco (baixa atenuação e remodelamento positivo); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose discreta (25-49%) com calcificação puntiforme como achado isolado; restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P1/HRP.
Doença não obstrutiva em LAD e RCA.
Figura 4. O modificador /HRP exige duas características na mesma placa. Duas placas com uma característica cada não o ativam; as características são descritas nos achados.
Outros nomes:placa de baixa atenuação, low-attenuation plaque (LAP), placa de baixa densidade(o glossário usa “atenuação”, como a SCCT)evitado neste glossário
No CAD-RADS 2.0 e na SCCT 2026, uma placa não calcificada tem baixa atenuação, uma das características de alto risco, quando sua atenuação interna é menor que 30 UH. O valor depende da quilovoltagem e da opacificação da luz.
Como escrever no laudo
Cx proximal: placa não calcificada de baixa atenuação, determinando estenose discreta (25–49%).
Não confundir: Nem toda placa não calcificada tem baixa atenuação: no CAD-RADS 2.0, a característica exige que a atenuação interna do componente não calcificado seja menor que 30 UH.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Figura 15; SCCT 2026, pp. 13–14 · “Low attenuation plaque, defined as non-calcified plaque with internal attenuation less than 30 HU.”
Detalhes
Na prática. Mede-se no corte transversal com uma região de interesse (ROI) pequena, posicionada na porção mais hipoatenuante da placa e longe da luz, do cálcio e da gordura pericoronariana. É preciso levar em conta a quilovoltagem da aquisição.
Erro a evitar. Medir junto a cálcio denso ou na borda com a gordura pericoronariana dá valores falsamente baixos, por endurecimento do feixe e por volume parcial.
Em outras fontes. Na quantificação volumétrica, o limite superior da categoria de menor atenuação varia de 30 a 75 UH entre programas, e a SCCT 2024 não fixa um limiar absoluto. O glossário segue o CAD-RADS 2.0. (SCCT 2024 de quantificação, seção 4.2)
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É marcada com o botão “⬤ Baixa atenuação” do editor, que fica desativado quando o tipo de placa é “Calcificada”.
Outros nomes:remodelação positiva, remodelamento expansivo, positive remodeling (PR)
No CAD-RADS 2.0 e na SCCT 2026, há remodelamento positivo quando o diâmetro externo do vaso na placa supera em mais de 10% o de referência (índice de remodelamento maior que 1,1). É uma característica de alto risco.
Como escrever no laudo
DA proximal: placa não calcificada com remodelamento positivo, sem redução luminal visível.
Não confundir: Remodelamento positivo sem redução luminal não é CAD-RADS 0: o CAD-RADS 2.0 inclui na categoria 1 a placa com remodelamento positivo sem estenose.
Fonte: CAD-RADS 2.0, Figura 15; SCCT 2026, p. 13 · “Positive remodeling, defined as the ratio of outer vessel diameter at the site of plaque divided by the average outer diameter of the proximal and distal vessel greater than 1.1”
Detalhes
Na prática. Em cortes transversais, mede-se o diâmetro externo do vaso, entre as bordas externas da parede, no local da placa e em segmentos sadios proximal e distal. O índice é o diâmetro na lesão dividido pela média das duas referências.
Erro a evitar. É um erro medir a luz, em vez do contorno externo, para calcular o índice. Tampouco se gradua a estenose em relação à parede remodelada, e sim em relação a segmentos normais.
Em outras fontes. O documento de quantificação da SCCT 2024 calcula o índice com áreas do vaso, e não com diâmetros; considera-o positivo a partir de 1,10 e negativo abaixo de 0,90. O glossário usa diâmetros, como o CAD-RADS 2.0. (SCCT 2024 de quantificação, Tabela 2)
No CCTA Map
É marcado com o botão “⬈ Remodelamento +” do editor, que continua disponível mesmo quando o tipo de placa é “Calcificada”.
Outros nomes:calcificações puntiformes, calcificação pontilhada, cálcio puntiforme, spotty calcification (SC), calcificação spotty(híbrido com o termo inglês spotty calcification)evitado neste glossário
Na SCCT 2026, a calcificação puntiforme é um depósito de cálcio com menos de 3 mm de diâmetro dentro de uma placa. É uma das características de alto risco.
Como escrever no laudo
CD média: placa parcialmente calcificada com calcificação puntiforme, determinando estenose discreta (25–49%).
Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 13 · “Features of high-risk plaque (HRP) include positive remodeling (outer vessel diameter >10% larger than the reference diameter), spotty calcification (diameter <3 mm)”
Detalhes
Na prática. O maior diâmetro do depósito é medido no corte transversal e na reconstrução curva, com janela ampla para limitar o blooming. Se medir 3 mm ou mais, já não cumpre o critério.
Erro a evitar. Uma placa calcificada pequena e isolada não é uma calcificação puntiforme. A característica descreve um foco de cálcio menor que 3 mm dentro de uma placa.
Em outras fontes. Alguns autores a definem em relação ao vaso: seu comprimento é menor que 1,5 vez o diâmetro do vaso e sua largura, menor que dois terços desse diâmetro. O glossário segue o limite de 3 mm da SCCT 2026. (van Rosendael 2024, Tabela 1; Yang 2021, Métodos)
No CCTA Map
No editor, é marcada com o botão “⦿ Cálcio puntiforme”, e no modelo de laudo aparece como “calcificação puntiforme”.
Outros nomes:napkin-ring sign (NRS), sinal do anel, ring-like sign
Esta característica de alto risco é reconhecida no corte transversal de uma placa não calcificada por um centro de baixa atenuação, em aparente contato com a luz, circundado por um anel de maior atenuação.
Como escrever no laudo
DA proximal: placa não calcificada com sinal do anel de guardanapo, determinando estenose moderada (50–69%).
Fonte: SCCT 2026, texto sobre placa aterosclerótica, p. 14 · “napkin-ring sign (central low attenuation apparently in contact with the lumen surrounded by ring-like higher-attenuation plaque tissue)”
Detalhes
Na prática. É procurado em cortes transversais perpendiculares à linha central do vaso, com uma janela que separe bem os tons de cinza da placa. O anel é tecido não calcificado, mais denso que o centro, e não cálcio.
Erro a evitar. Podem simulá-lo o anel cálcico de uma placa parcialmente calcificada e o artefato de volume parcial na interface entre a placa e a luz.
Em outras fontes. Algumas revisões especificam que o anel periférico não ultrapassa 130 UH, e certos estudos o chamam de realce em anel (ring-like enhancement). O consenso da SCCT de 2024 sobre quantificação esclarece que o sinal não requer medir a atenuação. (van Rosendael 2024, Tabela 1; Pozo 2016; SCCT 2024 de quantificação, seção 4.1)
No CCTA Map
O editor o registra com o botão “◎ Napkin-ring”, que fica desativado quando o tipo de placa é “Calcificada”; o modelo de laudo imprime “sinal do anel de guardanapo”.
Carga de placa (P1–P4) Plaque burden (P1–P4)P1–P4#
Outros nomes:carga aterosclerótica, carga total de placa, carga global de placa, plaque burden, modificador P(o CAD-RADS 2.0 a chama de categoria P e a separa dos modificadores)evitado neste glossário
No CAD-RADS 2.0, que este glossário segue, a carga de placa é a quantidade global de placa coronariana do paciente, independente do grau de estenose. É expressa como P1 (leve), P2 (moderada), P3 (acentuada) ou P4 (extensa), segundo o SIS, o escore de Agatston ou a avaliação visual. Na literatura brasileira, P1 também aparece como “discreta”.
Como escrever no laudo
Aterosclerose coronariana com carga de placa acentuada (P3; SIS 5) e estenose máxima discreta (25–49%). CAD-RADS 2/P3.
Condição do exemplo: Todos os segmentos com diâmetro maior que 1,5 mm são avaliáveis, nenhum outro método resulta em P maior (se resultar, usa-se a avaliação mais grave) e não se aplica nenhum modificador; com um segmento não avaliável, escreve-se CAD-RADS N/P3, ou N sem P se a carga global não puder ser avaliada com confiabilidade.
Não confundir: A carga de placa (P1–P4) resume quanta placa há em toda a árvore coronariana; a categoria de estenose (0–5) decorre da estenose mais grave. Uma P3 com estenose máxima discreta continua sendo CAD-RADS 2.
Fonte: SCCT 2026, texto e Tabela 3, pp. 14 e 49; CAD-RADS 2.0, seção 3.2.1 · “CAD-RADS 2.0 introduces the P1 to P4 descriptors which are used to denote increasing categories of plaque burden (P1=mild, P2=moderate, P3=severe and P4=extensive)”
Detalhes
Na prática. A SCCT 2026 recomenda estimar a carga visualmente e combinar essa estimativa com o escore de Agatston, se adquirido, ou com o SIS. Se forem aplicados vários métodos, o CAD-RADS 2.0 indica usar a avaliação mais grave. No CAD-RADS 0 não se atribui P, e com N ela só é atribuída se a avaliação global da placa for confiável.
Erro a evitar. Se houver placa não calcificada abundante, a P não deve ser atribuída apenas com base no escore de Agatston, porque a carga fica subestimada. Nesse caso, a P é atribuída com base no SIS ou na avaliação visual.
Em outras fontes. Na quantificação de placa por TC, “carga de placa” também designa a porcentagem da área ou do volume do vaso ocupada por placa. O glossário usa o termo como o CAD-RADS 2.0, para a quantidade global de placa do paciente. (SCCT 2024 de quantificação, Tabela 2)
No CCTA Map
Ao abrir “Modificadores P · I ▾”, a seção “Carga de placa (P)” obtém a P de uma de três fontes: “Auto (mapa)”, que usa o SIS do mapa; “Cálcio (Agatston)”, com o escore digitado; ou “Escolher P”, que a define manualmente ou a deixa vazia com “—”. O modelo de laudo imprime, por exemplo, “Carga de placa: leve (P1; SIS 2).” Com N, seja por um segmento marcado, seja pela opção “não diagnóstica” do campo “Qualidade”, o mapa continua imprimindo a P dada pelo modo escolhido; se a carga global não puder ser avaliada com confiabilidade, ela é retirada com “Escolher P” e “—”. Limitações do programa: cada modo usa uma única fonte, de modo que o mapa não escolhe a avaliação mais grave; “Auto (mapa)” não conta a placa dos enxertos; e um segmento marcado com “N” perde sua placa e deixa de contar sem aviso. Nesses casos, a P é definida com “Escolher P” após avaliar em conjunto a placa nativa e a dos enxertos, e também a dos segmentos N, se for vista com confiabilidade. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 2/P3) →
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); segmento médio: placa parcialmente calcificada, estenose discreta (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento proximal: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P3.
Doença não obstrutiva em LM, LAD, LCX e RCA.
Escore de envolvimento segmentar Segment involvement scoreSIS#
Outros nomes:escore de segmentos envolvidos, escore de acometimento segmentar, segment involvement score
O SIS conta os segmentos coronarianos com placa, de qualquer composição e grau. Cada segmento com placa soma 1 ponto e o máximo é 16, porque no mesmo paciente não existem todos os segmentos ao mesmo tempo: os ramos posteriores dependem da dominância e o ramo intermédio é inconstante. É mais reprodutível que a estimativa visual da carga.
Fonte: SCCT 2026, texto sobre volume de placa, p. 14 · “A score of 1 is given for each segment with plaque, with the highest possible score of 16.”
Detalhes
Na prática. A árvore coronariana é percorrida segmento por segmento e conta-se cada um que tenha placa, ainda que mínima. Se a placa estiver na junção de dois segmentos, incluindo as bifurcações, ela é atribuída ao segmento precedente.
Erro a evitar. É um erro contar placas, e não segmentos. Uma placa longa na DA proximal e média soma 2 pontos, e três placas em um segmento somam 1.
Em outras fontes. Alguns estudos chamam de “extensa” a doença com placa em mais de 4 segmentos. O glossário segue o CAD-RADS 2.0, em que 5 a 7 segmentos correspondem a P3 (acentuada) e somente 8 ou mais a P4 (extensa). (Bittencourt 2014; SCCT 2026, Tabela 3)
No CCTA Map
No modo “Auto (mapa)”, o mapa conta os segmentos em que se marcou placa e converte o total em P1–P4; o painel o mostra, por exemplo, como “SIS 3 segmentos → P2”. O total é limitado a 16, o máximo da definição, mesmo que o mapa desenhe mais segmentos. Uma placa desenhada com um único traço através de dois segmentos soma em ambos, e um segmento com stent sem reestenose e sem outra placa não soma. Limitações do programa: o botão “N” apaga a placa do segmento, que deixa de somar sem aviso, e a P automática não inclui a placa dos enxertos, que o CAD-RADS 2.0 pede para avaliar junto com a nativa. Nesses casos, a P é definida com “Escolher P”. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 2/P2) →
Saída literal do modelo do mapa
Carga de placa: moderada (P2; SIS 3).
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose discreta (25-49%); segmento médio: placa não calcificada, estenose discreta (25-49%); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): segmento médio: placa calcificada, estenose mínima (1-24%); restante do vaso sem lesões. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P2.
Doença não obstrutiva em LAD e RCA.
SIS 0Sem placa
Figura 5. Contador de SIS. Toque em cada segmento que tenha placa, de qualquer composição e grau; o contador soma um ponto por segmento e mostra a faixa de carga de placa correspondente. Toque de novo em um segmento para retirá-lo.
Outros nomes:escore de cálcio coronarianodesaconselhado, escore de cálciodesaconselhado, calcium score (CACS)(a Terminologia SCCT 2023, Tabela 4, prefere “Agatston score”; o CAD-RADS 2.0 e a SCCT 2026 ainda escrevem “calcium score”)desaconselhado, escala de Agatstonevitado neste glossário
Em cada lesão coronariana, a área de cálcio que supera o limiar de 130 UH é multiplicada por um fator de 1 a 4 segundo sua atenuação máxima. O escore é a soma desses produtos.
Como escrever no laudo
Escore de Agatston igual a 0 na aquisição sem contraste.
Não confundir: Um escore de Agatston igual a 0 indica que não se detectou cálcio coronariano, e não que não haja aterosclerose: o CAD-RADS 0 exige que a angiotomografia não mostre placa, calcificada ou não, nem estenose.
Fonte: Neves PO, et al. Radiol Bras 2017 (revisão), seção “Agatston method” · “The Agatston method uses the weighted sum of lesions with a density above 130 HU, multiplying the area of calcium by a factor related to maximum plaque attenuation”
Detalhes
Na prática. É calculado na aquisição sem contraste sincronizada ao ECG, antes da fase angiográfica, com o protocolo padrão de 120 kVp e cortes de 3 mm. Se realizado, o total é informado no laudo e pode servir para atribuir a carga de placa.
Erro a evitar. O escore de Agatston mede apenas a placa calcificada. O CAD-RADS 2.0 pede que ele seja combinado ao menos com uma avaliação qualitativa de toda a placa: a P se mantém se não houver placa não calcificada e pode subir se houver; com escore 0 e placa visível, a P é atribuída com base no SIS ou na avaliação visual.
Em outras fontes. O CAC-DRS da SCCT (2018) agrupa o escore em A0 (0), A1 (1–99), A2 (100–299) e A3 (300 ou mais) e acrescenta o número de artérias com cálcio (por exemplo, A2/N3). Seus pontos de corte diferem ligeiramente dos de P1–P4. A Terminologia SCCT 2023 recomenda o nome “Agatston score”, e não “calcium score” nem “CAC score”, e define separadamente o volume e a massa de cálcio. (CAC-DRS, Hecht 2018; Obisesan 2021; SCCT 2026, Tabela 3; Terminologia SCCT 2023, Tabela 4)
No CCTA Map
No modo “Cálcio (Agatston)”, digita-se o valor e o mapa o converte em P1–P4; o painel mostra, por exemplo, “Agatston 260 → P2”, e o modelo de laudo imprime “Carga de placa: moderada (P2; Agatston 260).” O campo aceita ponto ou vírgula. Se o separador for seguido de exatamente três algarismos, é lido como separador de milhar: “1,250” ou “1.250” é 1250 (P4). Se não, é lido como decimal e usa-se o inteiro arredondado: “87.3” ou “87,3” é 87 (P1). Se não houver nenhuma placa desenhada no mapa, um valor maior que 0 dá CAD-RADS 1 com essa P, como “CAD-RADS 1/P2” com Agatston 120, e os vasos sem achados são redigidos como “sem estenose”, não “sem lesões ateroscleróticas”. Limitação do programa: esse modo usa apenas o escore digitado e não leva em conta a placa marcada no mapa. No teste, com Agatston 0 e placa não calcificada com estenose discreta em quatro segmentos, o mapa deu CAD-RADS 2 sem P; pelo SIS, corresponde a 2/P2. Convém comparar com a P de “Auto (mapa)” e definir a mais grave com “Escolher P”.
Figura 6. O escore de Agatston multiplica a área de cada lesão por um fator que depende de sua atenuação máxima e soma todas as lesões de todos os cortes.
Autoavaliação
Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.
1Uma placa contínua percorre a CD proximal, média e distal. Há ainda uma placa na DA proximal e outra na Cx proximal, e nenhuma outra placa. Qual é o SIS e que carga de placa ele indica?
O SIS conta segmentos, e não placas. A placa contínua soma 3 pontos, um por segmento da CD; com a DA proximal e a Cx proximal, o total é 5, que corresponde a P3. Ver o termo
2Na DA proximal há uma placa com remodelamento positivo e nenhuma outra característica. Na DA média, separada da anterior, outra placa não calcificada tem atenuação interna de 20 UH e nenhuma outra característica. Como isso se reflete na categoria CAD-RADS?
O modificador exige duas ou mais características na mesma placa. Aqui cada placa tem uma: as características são descritas nos achados, mas a categoria não leva /HRP. Ver o termo
3O escore de Agatston é 0. Na angiotomografia há placa não calcificada na DA proximal, na DA média, na Cx proximal e na CD proximal, sem estenose de 50% ou mais, e nenhuma outra placa. Que carga de placa se atribui?
Quando os métodos divergem, usa-se a avaliação mais grave. O escore de Agatston não mede a placa não calcificada; o SIS é 4, que corresponde a P2. Ver o termo
4Na DA proximal, o diâmetro externo do vaso na placa mede 4,0 mm e o da luz, 2,6 mm. Os diâmetros externos de referência medem 3,9 mm no segmento sadio proximal e 3,1 mm no distal. Qual é o índice de remodelamento?
Divide-se o diâmetro externo na lesão pela média das referências: 4,0 / 3,5 = 1,14, maior que 1,1. Usar apenas a referência proximal dá 1,03, e usar a luz, 0,74. Ver o termo
5No corte transversal de uma placa da CD proximal, vê-se um centro amplo de baixa atenuação em contato com a luz, circundado por um anel fino e contínuo de cálcio denso. Como se descreve?
No sinal do anel de guardanapo, o anel é tecido de placa não calcificada mais denso que o centro, e o CAD-RADS 2.0 o define em uma placa não calcificada. Um anel de cálcio denso não cumpre o critério e, junto com o centro não calcificado, torna a placa parcialmente calcificada. Ver o termo
6Na fase sem contraste, o único depósito de cálcio coronariano está na DA proximal e aparece em um só corte: mede 5 mm² e sua atenuação máxima é de 320 UH. A angiotomografia não mostra outra placa. Qual é o escore de Agatston e que carga de placa ele indica?
O fator depende da atenuação máxima da lesão: de 300 a 399 UH, é 3, de modo que o escore é 5 × 3 = 15. Um valor de 1 a 100 corresponde a P1, assim como o SIS de 1. Ver o termo
Referências
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Fontes das notas “Em outras fontes”
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