Achados coronarianos não ateroscleróticos e modificador E
Dr. David F. Cuevas Cueto · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Fontes: SCCT 2026 e CAD-RADS 2.0
Esta seção reúne os achados coronarianos não ateroscleróticos mais frequentes na angiotomografia de coronárias, como a ponte miocárdica, a origem e o trajeto anômalos e o aneurisma ou a ectasia. O CAD-RADS 2.0 sinaliza os achados não ateroscleróticos de sua lista com o modificador E, que se acrescenta à categoria de estenose sem substituí-la.
O essencial
A ponte miocárdica é descrita por sua localização, profundidade e extensão; é profunda a partir de 2 mm de miocárdio e longa a partir de 25 mm.
Com uma única fase adquirida, a compressão sistólica da ponte não é bem avaliada, e essa limitação deve ser levada em conta no laudo.
O CAD-RADS 2.0 e a SCCT 2026 não citam a ponte miocárdica na lista do modificador E, que não é fechada; acrescentar E por uma ponte é, portanto, uma interpretação.
Uma artéria anômala é descrita por sua origem, trajeto, calibre luminal e terminação, e o trajeto interarterial é o de alto risco, sobretudo com segmento intramural.
O aneurisma supera 1,5 vez o diâmetro de referência em menos da metade do vaso; se a dilatação ocupar mais da metade, chama-se ectasia.
O modificador E vai no final do código, depois de N, HRP, I, S e G, e, se não houver placa em nenhum segmento, o código não leva P.
Tabela 1. Trajetos de uma artéria coronária anômala. A SCCT 2026 descreve quatro; o retrocardíaco provém de publicações sobre coronária única.
Trajeto
Percurso
Risco segundo as fontes
No mapa
Interarterial
Entre a raiz da aorta e o tronco pulmonar
Alto, sobretudo com segmento intramural
“Interarterial”
Transeptal (subpulmonar)
Abaixo da valva pulmonar, no interior do septo
Menor que o do interarterial
“Intrasseptal”
Pré-pulmonar
À frente do tronco pulmonar
Em geral benigno
“Pré-pulmonar”
Retroaórtico
Por trás da raiz da aorta
Em geral benigno
“Retroaórtico”
Retrocardíaco
Por trás do coração
Em geral benigno
Não disponível
Fonte: SCCT 2026, pp. 20–21 (trajetos, alto risco do interarterial e menor compressão do transeptal); Cheezum 2017, J Am Coll Cardiol, resumo (a maioria dos subtipos é benigna, e a morte súbita se associa ao trajeto interarterial); Sheng 2021 (trajeto retrocardíaco, em geral benigno).
Outros nomes:ponte intramiocárdica(sinônimo frequente; a SCCT usa “ponte miocárdica”), trajeto intramiocárdico(designa o trecho tunelizado; é usado como sinônimo), ponte muscular, artéria coronária tunelizada, myocardial bridge (MB), artéria coronária intramural(assim a classificação de Angelini chama a ponte; o glossário reserva “intramural” para o trecho da artéria anômala no interior da parede aórtica)evitado neste glossário
Um segmento de uma artéria epicárdica percorre um túnel no interior do miocárdio, e a faixa muscular que o recobre é a ponte.
Como escrever no laudo
Ponte miocárdica na DA média. A compressão sistólica não é avaliável, pois só se dispõe da fase diastólica.
Não confundir: o trajeto intramiocárdico da ponte, no interior do miocárdio, com o segmento intramural de uma artéria anômala, no interior da parede da aorta junto à sua origem.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 21 · “Myocardial bridging is characterized by encasement of coronary arteries by myocardial fibers, with a tunneled intramyocardial segment and a myocardial bridge that overlies the artery.”
Detalhes
Na prática. Identifica-se na reconstrução curva da DA e confirma-se nos cortes transversais, em que o segmento tunelizado fica envolto por miocárdio. Nos achados, nomeiam-se o vaso e o segmento e descrevem-se a profundidade, a extensão e, se foram adquiridas sístole e diástole, a compressão sistólica.
Erro a evitar. Examinar apenas o túnel e deixar de lado o segmento proximal a ele. Na revisão de Rovera 2023, a placa aparece sobretudo logo antes da ponte e é pouco frequente dentro do túnel.
Em outras fontes. A SCCT 2014 incluía a ponte miocárdica entre as variantes anatômicas potencialmente relevantes, junto com a ausência do tronco coronariano esquerdo. Pela alta prevalência, alguns autores a consideram uma variante, e não uma anomalia verdadeira, embora a maioria das classificações a inclua entre as anomalias de trajeto. A artéria mais acometida é a DA, sobretudo em seu segmento médio. (SCCT 2014, seção 10.6.2, p. 352; Genoud 2026, seções 4.2 e 4.2.1 e Tabela 2; Rovera 2023, introdução)
No CCTA Map
Só a DA média admite ponte, pela seção “Ponte miocárdica” do seu editor, com “Adicionar ponte”. No mapa, o túnel aparece afundado, com o rótulo “PONTE · profunda” ou “PONTE · superficial”. O túnel não admite placa, e a ponte não altera a categoria. O mapa acrescenta E apenas se a “Compressão sistólica” chegar a 50%; abaixo disso, a impressão esclarece que a ponte não acrescenta E. Limitação do programa: a ponte é criada como “Profunda”, com 45% de compressão (18% ao passar para “Superficial”), e o modelo de laudo sempre imprime o valor, inclusive ~0%, mesmo que a compressão não tenha sido avaliada. O modelo só escreve “compressão sistólica não avaliável” se o segmento for marcado como N, mas N apaga a placa do segmento e o declara não avaliável: sem outra estenose ≥50% na árvore, a categoria passa a N; com ela, o código mantém o grau e acrescenta o modificador N. Com uma única fase, não marque N: no rascunho, substitua o valor por uma frase informando que a compressão não é avaliável. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 3/P1) →
Saída literal do modelo do mapa
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose moderada (50-69%); restante do vaso sem lesões. Ponte miocárdica da segmento médio, com trajeto intramiocárdico (superficial) e compressão sistólica de ~20%. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Ponte miocárdica no terço médio da DA sem compressão sistólica significativa (<50%): achado não aterosclerótico que não altera a categoria CAD-RADS nem acrescenta o modificador E.
Doença obstrutiva (≥50%) em LAD.
Profundidade, extensão e compressão da ponte miocárdica Myocardial bridge depth, length and systolic compression#
Outros nomes:classificação da ponte miocárdica, efeito milking, efeito de ordenha(sinal de compressão sistólica na cinecoronariografia), ponte profunda / superficial, myocardial bridge depth
A SCCT 2026 classifica a ponte pelo recobrimento, pela profundidade, pela extensão e pela compressão sistólica. O recobrimento é parcial, com 75–99% da artéria envolta por miocárdio, ou total. A ponte é superficial com 1 a menos de 2 mm de miocárdio sobre a artéria, profunda com 2 a menos de 5 mm e muito profunda a partir de 5 mm, e é curta abaixo de 25 mm e longa a partir de 25 mm. Na sístole, a luz pode não se reduzir, reduzir-se menos de 50% ou reduzir-se 50% ou mais.
Como escrever no laudo
Ponte miocárdica na DA média, profunda (3 mm de miocárdio sobre a artéria) e longa (30 mm), com compressão sistólica menor que 50% na comparação entre sístole e diástole.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 21 · “superficial (1-2 mm), deep (≥ 2 mm), very deep (≥ 5 mm) and short (<25 mm) or long (≥ 25 mm)”
Detalhes
Na prática. A espessura do miocárdio sobre a artéria é medida no corte transversal, e a extensão do túnel, na reconstrução curva. A compressão sistólica é avaliada comparando sístole e diástole. Segundo a SCCT 2026, a espessura da ponte e as estenoses sistólica e diastólica podem predizer os sintomas de forma independente, e a estenose diastólica é a de maior desempenho diagnóstico e valor preditivo de eventos adversos.
Erro a evitar. Informar um percentual de compressão sistólica quando só foi adquirida a fase diastólica. A SCCT 2026 adverte que, com uma única fase, a avaliação anatômica é limitada.
Em outras fontes. Na cinecoronariografia, a classificação de Noble gradua em três níveis a compressão sistólica da DA. O grau 1 é menor que 50%, o grau 2 vai de 50 a 75% e o grau 3 supera 75%. Na angiotomografia, a SCCT 2026 divide a compressão sistólica em ausente, menor que 50% ou ≥50%. (Noble 1976, citado por Xu 2022, métodos; SCCT 2026, p. 21)
No CCTA Map
“Profunda” e “Superficial” não têm limiar em milímetros e não há opção para muito profunda; por isso, a medida e a classe da SCCT 2026 são digitadas manualmente. A “Extensão do túnel” é a fração desenhada do segmento, de 10 a 55%, e não milímetros, e não é impressa. O valor do controle deslizante “Compressão sistólica” (de 0 a 90%) é desenhado no mapa como estreitamento do túnel e impresso nos achados, e, a partir de 50% (o mesmo corte da SCCT 2026), o mapa acrescenta E. Com “Profunda” ou a partir de 50%, a impressão acrescenta a frase de maior risco hemodinâmico. Limitação do programa: o modelo de laudo sempre imprime o valor, inclusive ~0%, mesmo que não tenha sido medido, e só escreve “compressão sistólica não avaliável” se o segmento for marcado como N, o que o declara não avaliável e apaga sua placa. No rascunho, substitua o valor pela classe da SCCT 2026 (sem redução, menor que 50% ou ≥50%) ou, com uma única fase, por uma frase informando que a compressão não é avaliável. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 0/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ponte miocárdica da segmento médio, com trajeto intramiocárdico (profundo) e compressão sistólica de ~55%. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Ponte miocárdica no terço médio da DA (modificador E, achado não aterosclerótico por compressão extrínseca): a compressão é dinâmica (sistólica), portanto não altera a categoria CAD-RADS 0-5. O trajeto profundo e/ou a compressão sistólica acentuada são fatores anatômicos de maior risco hemodinâmico; correlacionar com o quadro clínico e, diante de angina sem outra causa aparente, considerar avaliação funcional (CT-FFR ou teste de estresse).
Figura 1. A ponte é medida pela espessura do miocárdio que recobre a artéria e pela extensão do túnel. A compressão aparece na comparação entre sístole e diástole e, com uma única fase, sua avaliação é limitada.
Origem anômala de uma artéria coronária Anomalous origin of a coronary arteryAAOCA · ALCAPA · ARCAPA#
Outros nomes:anomalia de origem coronariana, origem aórtica anômala das artérias coronárias(AAOCA; não inclui a origem na artéria pulmonar), origem anômala no seio oposto (ACAOS)(sigla da SCCT 2021 para a origem no seio oposto), ACAPA(sigla da ESC 2020 para a origem na artéria pulmonar), síndrome de Bland-White-Garland(epônimo do ALCAPA), anomalous coronary artery origin
Há origem anômala quando uma artéria coronária nasce fora de seu local habitual. Pode nascer do seio de Valsalva oposto ou do seio não coronariano, em posição alta, baixa ou comissural, ou da artéria pulmonar.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial. Sem evidência de aterosclerose coronariana.
Condição do exemplo: Sem estreitamento do segmento proximal; se houver, acrescentam-se seu grau e a categoria com E (com estenose moderada e sem placa, CAD-RADS 3/E).
Não confundir: “sem evidência de aterosclerose coronariana” com “coronárias normais”: a origem anômala é um achado coronariano, e o CAD-RADS 2.0 a sinaliza com E.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j); ramo do cone na anatomia coronariana, p. 12 · “Anomalous origin could be from the opposite or non-coronary sinus of Valsalva or from pulmonary arteries.”
Detalhes
Na prática. Cada artéria é seguida desde seu óstio em cortes axiais e em reconstruções oblíquas da raiz da aorta. A SCCT 2026 recomenda descrever a origem, a morfologia, o trajeto, o calibre luminal e a terminação, além da relação com as estruturas vizinhas.
Erro a evitar. Considerar anômalo um ramo do cone que nasce diretamente do seio coronariano direito. A SCCT 2026 descreve essa origem como uma das duas habituais do ramo do cone.
Em outras fontes. A SCCT 2021 chama de ACAOS a origem no seio de Valsalva oposto. A diretriz da ESC 2020 usa AAOCA para a origem aórtica anômala e ACAPA para a origem na artéria pulmonar, com suas formas ALCAPA e ARCAPA. (SCCT 2021, seção 4.10, p. 209; ESC 2020, seção 4.17.1)
No CCTA Map
No menu “Anatomia ▾”, “Origem das coronárias” abre um painel com três abas: “Um vaso”, “Tronco (TCE)” e “Coronária única”. Em “Um vaso”, escolhem-se o vaso afetado (“RCA”, “LM”, “LAD” ou “LCx”, isto é, CD, TCE, DA ou Cx) e sua origem: “Seio D”, “Seio E”, “Da CD”, só para a DA ou a Cx, ou “TP”. Não há opção para o seio não coronariano, e as origens não oferecidas para o vaso escolhido ficam desativadas, com o motivo. O modelo de laudo redige a origem, o trajeto e o destino do vaso, com o código ICAAC nas origens aórticas, e acrescenta E. Limitação do programa: o mapa não gradua o estreitamento produzido pela anomalia. Sem placa na árvore, uma anomalia interarterial com estenose moderada resulta em CAD-RADS 0/E em vez de 3/E, e, se o estreitamento for desenhado como lesão, o mapa lhe atribui um tipo de placa, acrescenta P1 e o descreve como aterosclerose. Não o desenhe: escreva o grau e a categoria no rascunho, sem P se não houver placa em nenhum segmento. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 0/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: circunflexa (LCX) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; passa por trás da raiz da aorta (trajeto retroaórtico) até o sulco atrioventricular esquerdo, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: LCX-AAOCA/RS-RA). O tronco coronariano esquerdo origina-se do seio coronariano esquerdo e continua como descendente anterior. Nenhum vaso transita entre a aorta e o tronco pulmonar. Dominância: direita.
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto benigno; não passa entre os grandes vasos.
Trajeto da artéria anômala Course of an anomalous coronary artery#
Outros nomes:trajeto da coronária anômala, trajeto intrasseptal, trajeto intraconal(outro nome do trajeto transeptal ou subpulmonar), trajeto pré-cardíaco(outro nome do trajeto pré-pulmonar), anomalous coronary course
O trajeto indica por onde a artéria anômala cruza a base do coração. A SCCT 2026 reconhece quatro trajetos: interarterial, retroaórtico, transeptal ou subpulmonar e pré-pulmonar.
Como escrever no laudo
Origem anômala da DA no seio coronariano direito, com trajeto transeptal (subpulmonar).
Não confundir: o trajeto transeptal (subpulmonar), que corre no interior do septo, abaixo da valva pulmonar, com o interarterial, que passa entre a raiz da aorta e o tronco pulmonar.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), pp. 20–21 · “Anomalous courses could be interarterial, retroaortic, transseptal (subpulmonic) or prepulmonic”
Detalhes
Na prática. O segmento proximal é seguido em cortes axiais e oblíquos até o seu sulco. O trajeto interarterial é considerado de alto risco, e na sístole a artéria fica comprimida entre a aorta e a artéria pulmonar distendidas. O transeptal sofre menos compressão, entre a aorta distendida e a via de saída do ventrículo direito contraída.
Erro a evitar. Nomear o trajeto interarterial e não graduar o estreitamento do segmento proximal quando ele existe. A SCCT 2026 pede a descrição do calibre luminal, e o CAD-RADS 2.0 atribui a categoria pelo grau desse estreitamento e acrescenta E: com estenose moderada, CAD-RADS 3/E.
Em outras fontes. Algumas revisões descrevem cinco trajetos, pois acrescentam o retrocardíaco, que passa por trás do coração. Outros nomes encontrados na literatura são intrasseptal para o transeptal e pré-cardíaco para o pré-pulmonar. O glossário segue os quatro trajetos da SCCT 2026. (Genoud 2026, seção 4.1.3; Evangelista 2024; Karatoprak 2026, métodos)
No CCTA Map
Em “Um vaso”, escolhe-se “Interarterial”, “Intrasseptal”, “Pré-pulmonar” ou “Retroaórtico”, e o mapa deixa um deles pré-selecionado conforme o vaso e a origem. Os trajetos não oferecidos para essa combinação ficam desativados, com o motivo. “Intrasseptal” é o trajeto transeptal ou subpulmonar da SCCT 2026 e só existe para o TCE ou a DA a partir do seio direito. O modelo de laudo descreve o trajeto interarterial como variante de alto risco; o intrasseptal, como trajeto que sofre menos compressão que o interarterial e cuja relevância é avaliada com os sintomas e o teste de isquemia; e o pré-pulmonar e o retroaórtico, como trajeto benigno. Com origem no “TP”, não há trajeto a escolher. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 0/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: coronária direita (RCA) com origem anômala no seio coronariano esquerdo, com óstio próprio, independente do óstio da coronária esquerda; transita entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial) até o sulco atrioventricular direito, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: R-AAOCA/LS-IA). Dominância: direita.
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca. Avaliar características de alto risco: segmento intramural, óstio em fenda, ângulo de origem agudo e estreitamento proximal.
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Outros nomes:trajeto intramural(rótulo do botão no mapa), curso intramural, intramural course
O segmento intramural é a porção proximal da artéria anômala que corre no interior da parede da aorta antes de se separar dela. Aumenta o risco do trajeto interarterial.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial. O ângulo de origem agudo, o orifício em fenda no corte transversal e a ausência de gordura pericoronariana do lado da aorta sugerem segmento intramural.
Condição do exemplo: Se o segmento intramural estreitar a luz, acrescentam-se o grau desse estreitamento e a categoria com E (com estenose moderada e sem placa, CAD-RADS 3/E).
Não confundir: o segmento intramural de uma artéria anômala, no interior da parede da aorta junto à sua origem, com o trajeto intramiocárdico da ponte, no interior do miocárdio.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 20 · “An intramural segment is not directly visualized, but can be inferred by an acute takeoff angle, segmental narrowing with a slit-like orifice at cross-section”
Detalhes
Na prática. A TC não o mostra diretamente. Ele é inferido por um ângulo de origem agudo, por um estreitamento segmentar com orifício em fenda no corte transversal e pelo envolvimento incompleto da artéria pela gordura pericoronariana do lado da luz aórtica. Se for reconhecido, mede-se sua extensão.
Erro a evitar. Avaliar a forma da luz proximal no plano axial, que corta o vaso obliquamente. O orifício em fenda é visto no corte transversal.
Em outras fontes. Na classificação de Angelini, “artéria coronária intramural” é outro nome da ponte miocárdica. Neste glossário, como na SCCT 2026, intramural designa apenas o trecho da artéria anômala que corre no interior da parede aórtica, e o trecho tunelizado da ponte é chamado de intramiocárdico. (Ganga 2021, Tabela 1; Evangelista 2024; Genoud 2026, Figura 5)
No CCTA Map
Em “Achados de alto risco”, marca-se “Trajeto intramural” e digita-se a extensão no campo “Extensão intramural (mm)”. Só pode ser marcado com o trajeto “Interarterial” de uma origem aórtica. O modelo de laudo o descreve em “Origem e trajeto” como “segmento intramural, de ~6 mm”, acrescenta IM ao código ICAAC e o inclui entre os achados de alto risco da impressão, e o mapa desenha o trecho dentro da parede aórtica. Limitação do programa: se o segmento estreitar a luz, o mapa não gradua esse estreitamento nem o considera na categoria; por isso, o grau e a categoria são digitados manualmente no rascunho. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 0/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: coronária direita (RCA) com origem anômala no seio coronariano esquerdo, com óstio próprio, independente do óstio da coronária esquerda; seu segmento proximal transita no interior da parede aórtica (segmento intramural, de ~6 mm) e depois entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial) até o sulco atrioventricular direito, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: R-AAOCA/LS-IA,IM). Dominância: direita.
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca.
Achados anatômicos de alto risco identificados: segmento intramural (~6 mm).
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Anatomia de alto risco da artéria anômala High-risk anatomy of an anomalous coronary artery#
Outros nomes:anomalia coronariana maligna(denominação clínica; costuma aludir ao trajeto interarterial), características de alto risco, achados de alto risco(título do painel no mapa), high-risk anatomy
São considerados de alto risco o trajeto interarterial, o segmento intramural, o orifício em fenda, o ângulo de origem agudo, o estreitamento proximal e a origem alta, porque se associam a isquemia.
Como escrever no laudo
Origem anômala do TCE no seio coronariano direito, com trajeto interarterial, orifício em fenda e ângulo de origem agudo.
Condição do exemplo: Se houver estreitamento proximal, acrescentam-se seu grau e a categoria CAD-RADS com E, sem P se não houver placa em nenhum segmento.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 20 · “An interarterial course between the aortic root and pulmonary artery is considered a high-risk anatomy, particularly when combined with an intramural course.”
Detalhes
Na prática. Definido o trajeto, revisam-se o óstio e o segmento proximal em cortes transversais. Informam-se a forma do orifício, o ângulo de origem, a extensão do estreitamento e a altura do óstio em relação à junção sinotubular.
Erro a evitar. Dar o mesmo peso a uma CD originada do seio esquerdo e a uma coronária esquerda originada do seio direito. A ESC 2020 considera a segunda mais maligna.
Em outras fontes. A diretriz da ESC 2020 considera de alto risco o óstio situado mais de 1 cm acima da junção sinotubular. Outros autores chamam de origem alta qualquer óstio acima dessa junção, e a SCCT 2026 não fixa uma distância. (ESC 2020, seção 4.17.2 e nota c; Karatoprak 2026, métodos)
No CCTA Map
Com origem em “Seio D” ou “Seio E”, “Achados de alto risco” oferece “Óstio em fenda / origem em ângulo agudo”, “Trajeto intramural”, só com o trajeto “Interarterial”, e “Origem ostial alta”. Com origem em “TP” ou “Da CD”, esses controles não aparecem. O modelo de laudo lista na impressão os achados marcados, e nenhum deles altera a categoria; num trajeto interarterial sem achados marcados, a impressão lembra de avaliá-los. Limitação do programa: o estreitamento proximal não tem controle, e o mapa não o gradua se não houver placa; se for desenhado como lesão, o mapa lhe atribui um tipo de placa, acrescenta P1 e o descreve como aterosclerose. O grau e a categoria são digitados manualmente no rascunho, sem P se não houver placa em nenhum segmento. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 0/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: tronco coronariano esquerdo (LM) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; seu segmento proximal transita no interior da parede aórtica (segmento intramural, de ~10 mm) e depois entre a aorta e o tronco pulmonar (trajeto interarterial); bifurca-se em descendente anterior e circunflexa na posição habitual (ICAAC: L-AAOCA/RS-IA,IM). Não se identifica óstio coronariano no seio esquerdo. Dominância: direita.
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): sem lesões ateroscleróticas. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Ramo intermédio (RI): sem lesões ateroscleróticas.
Impressão Sem evidência de doença arterial coronariana. Categoria CAD-RADS 0/E.
Origem coronariana anômala com trajeto interarterial: variante de alto risco (potencialmente maligna) associada a isquemia miocárdica e morte súbita cardíaca.
Achados anatômicos de alto risco identificados: óstio em fenda com ângulo de origem agudo, segmento intramural (~10 mm) e origem ostial alta (acima da junção sinotubular).
Manejo individualizado (fora do escopo do CAD-RADS): teste de isquemia e encaminhamento à cardiologia/cirurgia conforme sintomas e anatomia.
Aneurisma e ectasia coronariana Coronary artery aneurysm and ectasia#
Um aneurisma coronariano é um segmento com diâmetro maior que 1,5 vez o do segmento normal adjacente, que ocupa menos de 50% da extensão do vaso. Se ocupar mais, é ectasia.
Como escrever no laudo
Aneurisma fusiforme na CD proximal, com diâmetro máximo de 7 mm, em comparação com 4 mm no segmento normal adjacente.
Condição do exemplo: A dilatação ocupa menos de 50% da extensão do vaso; se ocupar mais, é ectasia.
Não confundir: o aneurisma com o pseudoaneurisma, uma evaginação focal sem as três camadas da parede arterial, causada por intervenção coronária, cirurgia, infecção, trauma ou gravidez.
Fonte: SCCT 2026, texto, anomalias coronarianas não ateroscleróticas (seção j), p. 22 · “Coronary artery aneurysm is defined as a coronary artery segment with a diameter > 1.5 times the diameter of normal adjacent coronary artery segments or the largest coronary artery”
Detalhes
Na prática. O diâmetro máximo é medido no corte transversal e comparado com o do segmento normal adjacente ou com o da maior artéria coronária. No aneurisma sacular predomina o diâmetro transversal e, no fusiforme, o longitudinal.
Erro a evitar. Chamar de aneurisma uma dilatação que ocupa mais da metade do vaso. Essa dilatação difusa é ectasia, que a SCCT 2026 atribui sobretudo à aterosclerose.
No CCTA Map
O mapa não tem controle para aneurisma nem ectasia e não acrescenta E por um aneurisma, embora ele conste na Tabela 3 do CAD-RADS 2.0. O achado é digitado manualmente no rascunho e, se for um aneurisma, também o E.
Modificador E (exceções) Modifier E (exceptions)E#
Outros nomes:exceções do CAD-RADS, modificador de exceções, E modifier
O modificador E sinaliza um achado coronariano não aterosclerótico. É escrito no final do código CAD-RADS, depois de N, HRP, I, S e G, e acompanha a categoria sem substituí-la.
Como escrever no laudo
Origem anômala da CD no seio coronariano esquerdo, com trajeto interarterial e estenose moderada (50–69%) do segmento proximal. Sem evidência de aterosclerose coronariana. CAD-RADS 3/E.
Fonte: CAD-RADS 2.0, seção 3.3.6 (Modifier E = exceptions) e Tabela 3 · “a modifier “E” is used to account for any non-atherosclerotic narrowing of the coronary arteries and should be added at the end of the score as a modifier”
Detalhes
Na prática. A Tabela 3 do CAD-RADS 2.0 não é uma lista fechada. Inclui dissecção, origem anômala, aneurisma ou pseudoaneurisma, vasculite, fístula, compressão extrínseca, malformação arteriovenosa e outras causas. O estreitamento não aterosclerótico é graduado, e uma anomalia interarterial com estenose moderada é CAD-RADS 3/E.
Erro a evitar. Acrescentar P ao código de uma anomalia quando não há placa em nenhum segmento. O CAD-RADS 2.0 omite o P em seu exemplo de anomalia interarterial sem placa.
Em outras fontes. O CAD-RADS 1.0 tinha apenas os modificadores N, S, G e V, de modo que um achado não aterosclerótico não tinha código próprio. No CAD-RADS 2.0 surgiram os modificadores I e E, e o modificador V, de placa vulnerável, passou a se chamar HRP, de placa de alto risco. (CAD-RADS 1.0, Tabela 1, p. 271; CAD-RADS 2.0, seções 3.3 e 3.3.6)
No CCTA Map
O mapa acrescenta E com origem anômala de um vaso, coronária única ou ponte miocárdica com compressão sistólica ≥50%. A ausência do tronco coronariano esquerdo, na aba “Tronco (TCE)”, não o acrescenta, e nas demais exceções o E é digitado manualmente. Limitação do programa: o mapa não gradua um estreitamento sem placa. Sem placa na árvore, uma anomalia interarterial com estenose moderada resulta em CAD-RADS 0/E em vez de 3/E, e, se o estreitamento for desenhado como lesão, o mapa acrescenta P1 e o descreve como aterosclerose. A categoria é corrigida manualmente no rascunho, sem P se não houver placa em nenhum segmento. Ver o exemplo no mapa (CAD-RADS 2/P1/HRP/E) →
Saída literal do modelo do mapa
Origem e trajeto: circunflexa (LCX) com origem anômala no seio coronariano direito, com óstio próprio, independente do óstio da coronária direita; passa por trás da raiz da aorta (trajeto retroaórtico) até o sulco atrioventricular esquerdo, onde segue seu trajeto habitual (ICAAC: LCX-AAOCA/RS-RA). O tronco coronariano esquerdo origina-se do seio coronariano esquerdo e continua como descendente anterior. Nenhum vaso transita entre a aorta e o tronco pulmonar. Dominância: direita.
Tronco coronariano esquerdo (LM): sem lesões ateroscleróticas.
Descendente anterior (LAD): segmento proximal: placa não calcificada, estenose discreta (25-49%) com características de placa de alto risco (baixa atenuação e remodelamento positivo); restante do vaso sem lesões. Ramos D1, D2: sem lesões.
Circunflexa (LCX): sem lesões ateroscleróticas. Ramos OM1, OM2: sem lesões.
Coronária direita (RCA): sem lesões ateroscleróticas. Ramos AM, PDA, PL: sem lesões.
Impressão Doença arterial coronariana leve, não obstrutiva. Categoria CAD-RADS 2/P1/HRP/E.
Origem coronariana anômala com trajeto benigno; não passa entre os grandes vasos.
Doença não obstrutiva em LAD.
Autoavaliação
Perguntas curtas para verificar o essencial. A resposta aparece ao escolher uma opção.
1A CD nasce do seio coronariano esquerdo com trajeto interarterial. Em seu segmento proximal, a compressão entre a aorta e o tronco pulmonar produz uma estenose moderada. Não há placa em nenhum segmento. Como se codifica?
O CAD-RADS 2.0 dá como exemplo uma anomalia interarterial com estenose moderada e a codifica como 3/E. Como não há placa em nenhum segmento, o código não leva P. Ver o termo
2Na DA média, um segmento de 30 mm corre dentro do miocárdio, recoberto por uma camada muscular de 3 mm no corte transversal. Como se classifica a ponte segundo a SCCT 2026?
A ponte é profunda a partir de 2 mm de miocárdio e muito profunda a partir de 5 mm; assim, com 3 mm, a ponte é profunda. Mede 30 mm, e a partir de 25 mm classifica-se como longa. Ver o termo
3A DA nasce do seio coronariano direito. Seu segmento proximal passa abaixo da valva pulmonar, no interior do septo interventricular, e reaparece no sulco interventricular anterior. Como se descreve o trajeto?
O trajeto transeptal ou subpulmonar corre no interior do septo, abaixo da valva pulmonar. A SCCT 2026 observa que ele sofre menos compressão que o interarterial, que passa entre a aorta e o tronco pulmonar. Ver o termo
4Uma CD anômala nasce do seio esquerdo com trajeto interarterial. No corte transversal de sua porção proximal, a luz é uma fenda ovalada, a origem forma um ângulo agudo e falta gordura pericoronariana do lado da aorta. O que esses sinais sugerem?
A SCCT 2026 explica que o segmento intramural não é visto diretamente. Ele é inferido pelo ângulo de origem agudo, pelo orifício em fenda e pelo envolvimento incompleto da artéria pela gordura pericoronariana do lado da luz aórtica. Ver o termo
5A CD mede 7 mm ao longo de 80% de sua extensão. Seu segmento distal, de calibre normal, mede 4 mm. Como se classifica a dilatação?
O diâmetro é 1,75 vez o de referência, maior que 1,5. Como a dilatação ocupa mais de 50% do vaso, a SCCT 2026 a chama de ectasia, e não de aneurisma. Ver o termo
Referências
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Fontes das notas “Em outras fontes”
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